Mais de 25% dos mineiros vivem em situação de miséria

ugênio Moraes Valdir Araújo Couto Andando consegue ganhar apenas R$ 30 com seu trabalho   Mais de 25% da população mineira está na condição de absoluta miséria. São quase cinco milhões de pessoas vivendo com renda familiar menor do que meio salário mínimo (R$ 255). Já o número de mineiros indigentes – que ganham menos […]

ugênio Moraes

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Valdir Araújo Couto Andando consegue ganhar apenas R$ 30 com seu trabalho

 

Mais de 25% da população mineira está na condição de absoluta miséria. São quase cinco milhões de pessoas vivendo com renda familiar menor do que meio salário mínimo (R$ 255). Já o número de mineiros indigentes – que ganham menos de R$ 127,50 por mês – chega a 425 mil, o que equivale a 8,5% dos habitantes. Se por um lado o retrato da miséria preocupa, por outro, o Estado passou por uma transformação considerável nas duas últimas décadas. Em 1991, mais da metade da população vivia com menos de meio salário.

Apesar de ainda ser considerado alto, o percentual de 25% da população abaixo da linha da pobreza, Minas Gerais cumpriu a orientação da Organização das Nações Unidas (ONU), que cobrava dos municípios reduzir em 26,8% a miséria até 2015. No Brasil, são 28,5% da população na miséria. Os indicadores, relativos ao ano de 2008, foram apresentados nesta segunda-feira (7) pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), durante a publicação do relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

A questão da miséria no Brasil tem componentes ainda mais perversos que a simples escassez de recursos. Em muitos casos, famílias são destruídas e as pessoas vivem abandonadas, sem perspectivas. É o caso do catador de papel Valdir Araújo Couto, 39 anos. Ele conta que tem cinco filhas e todas moram com mãe, no Bairro Nova Granada, Região Oeste de Belo Horizonte. Ele lamenta o fato de ter se separado de sua família há mais de cinco anos, quando perdeu o emprego e começou a beber.

Andando com seu carrinho à procura de papelão pelas ruas, Couto consegue tirar cerca de R$ 30, por semana. No mês, contanto os outros bicos que faz lavando carros ou como carregador em feiras livres, ele não recebe mais do que R$ 250. “É difícil. O dinheiro mal dá para comer. Não posso comprar nada, nem para mim nem para as minhas filhas”, desabafa. O catador de papel vive nas ruas e dorme em abrigos.