Mais um motim chama atenção para situação delicada no Presídio de Itabira
A situação de tensão no Presídio de Itabira, já comentada por autoridades em oportunidades passadas, voltou a ser escancarada na última quinta-feira, 13 de setembro. Certa de 80 detentos se recusaram a retornar para as celas após banho de sol e deram início a um motim, por volta das 11h. Segundo a Secretaria de Administração […]
A situação de tensão no Presídio de Itabira, já comentada por autoridades em oportunidades passadas, voltou a ser escancarada na última quinta-feira, 13 de setembro. Certa de 80 detentos se recusaram a retornar para as celas após banho de sol e deram início a um motim, por volta das 11h. Segundo a Secretaria de Administração Prisional (Seap), agentes penitenciários tiveram que fazer uso de força para conter a situação.
De acordo com informações apuradas pela reportagem, diretores do presídio tentaram conversar com os detentos na tentativa de reaver a ordem, mas não conseguiram. Diante disso, o Grupamento de Operações Especiais da Seap e equipes de outras unidades prisionais foram chamados para desarticular o motim, que naquele momento já ganhava força, com adesão de detentos de mais celas.
A situação só foi controlada por volta das 16h, quando os agentes penitenciários entraram na galeria e conseguiram fazer com que os detentos voltassem para as celas. De acordo com a Assessoria de Comunicação da Seap, “foi necessário o uso de munição menos letal para controlar a situação”. Cinco presos ficaram feridos e foram atendidos na enfermaria da unidade. Depois, encaminhados para exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).
A Seap ainda informou que a direção da unidade prisional confeccionou o Registro de Eventos de Defesa Social (Reds), informou o juiz da Comarca e instaurou uma investigação preliminar para apurar administrativamente o ocorrido.
Preocupação antiga
O motim da semana passada não foi o primeiro registrado no presídio de Itabira nos últimos meses. Em agosto, detentos se concentraram em um dos pavilhões durante a madrugada e reivindicaram melhorias no local. Eles protestaram contra a ordem da direção da unidade de desligar a energia das celas durante a noite. Foi preciso reforço da PM para normalizar a situação.
A preocupação com a segurança no presídio de Itabira já foi manifestada por autoridades em oportunidades passadas. No ano passado, a promotora de Justiça, Giulliana Fonoff, informou que a unidade, com capacidade para 194 detentos, já abrigava, pelo menos, 430 internos, entre condenados e presos provisórios. Devido à superlotação e aos problemas estruturais, o MP chegou a pedir a interdição do presídio. As ações ainda tramitam na Justiça.
+ Leita também: Diretora do presídio de Itabira faz apelo por oportunidades de trabalho aos detentos
+ Leia também: Justiça local irá investir em câmeras de segurança para o presídio de Itabira
Durante evento em janeiro do ano passado, quando inaugurada a biblioteca do presídio, a diretora da unidade de Itabira, Maria do Carmo Celestino de Barros, informou que havia pedido à Vale um terreno ocioso na MG-129, bem próximo à cadeia, para ampliação da estrutura de carceragem. Não há informações se o pedido foi atendido.
Em 2016, durante um seminário que discutiu o método Apac em Itabira, o delegado Paulo Henrique Moreira Campos, a juíza Cibele Mourão e o promotor Matheus Beghini usaram a expressão “bomba relógio” para definir a situação do sistema de segurança pública de Itabira, que desagua no presídio. Eles afirmaram que um dos culpados por esse cenário é o alto índice de reincidência de crimes na cidade, na casa dos 80%.