Manifestação reúne 50 mil pessoas no Centro de BH contra pedido de anistia e PEC da Blindagem
Em defesa da democracia, 50 mil ocuparam as ruas de BH e se somaram a atos em mais de 30 cidades contra a “PEC da Bandidagem” e a anistia a golpistas.
Na manhã deste domingo (21), o Centro de Belo Horizonte foi tomado por uma multidão estimada em 50 mil pessoas em uma manifestação organizada por movimentos sociais, partidos de esquerda, sindicatos e coletivos estudantis. O ato teve como principais pautas a rejeição ao pedido de anistia defendido por setores da direita e a oposição à chamada PEC da Blindagem, em tramitação no Congresso Nacional.
A concentração começou por volta das 9h, na Praça da Estação, de onde os manifestantes seguiram em caminhada até a Praça Sete. Bandeiras, faixas e cartazes denunciavam o que os organizadores chamaram de “ameaça à democracia” e pediam mobilização popular para barrar a proposta legislativa.
Mobilização nacional
Movimentos sociais de esquerda se mobilizaram neste domingo em protestos em todo o país contra decisões recentes do Congresso Nacional, entre elas a PEC da Blindagem e a aprovação da urgência para o projeto de anistia. O apoio de artistas nas redes sociais ajudou a impulsionar a convocação.
Os atos foram convocados principalmente pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligadas ao PSOL e ao PT. Movimentos como MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) também participaram da mobilização. Os protestos aconteceram simultaneamente em pelo menos 33 cidades, incluindo 22 capitais.
Em Belo Horizonte, sindicatos, coletivos de juventude e movimentos populares reforçaram a mobilização, que se soma a atos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Arte e política no mesmo palco
O evento contou com a participação da cantora Fernanda Takai, que se apresentou em um caminhão de som do MST. Antes de cantar sucessos da banda Pato Fu, a artista destacou a gravidade do momento político:
“É sempre pior do que a gente possa imaginar”, disse, ao defender a urgência da pauta democrática.
A apresentação da artista foi recebida com entusiasmo pelo público e reforçou o caráter cultural da mobilização.
Vozes da sociedade
Entre os participantes, a professora Cássia Estela Mares, de 62 anos, presidente do sindicato dos funcionários públicos de Ouro Branco, ressaltou o simbolismo da manifestação:
“Eu acho muito importante fazermos parte desse momento da nossa história, porque nós não podemos permitir que o povo seja levado da forma como está acontecendo.”
Acompanhada da filha e da neta, ela destacou a importância de inspirar as novas gerações:
“Nós, dessa outra geração que já fomos tantas vezes para a rua, temos que ser exemplo para os nossos filhos e para os nossos netos. Tenho certeza que isso vai ser levado para outras gerações.”
Críticas à PEC e ao projeto de anistia
A PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara na última terça-feira (16), é criticada por criar barreiras para a abertura de processos criminais e a prisão de deputados federais e senadores. Os manifestantes a apelidaram de “PEC da Bandidagem”, pelo potencial de suspender investigações e promover impunidade.
Além disso, o ato também se posicionou contra a proposta de anistia para os condenados por tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão.
Repercussão e discursos
Durante o ato em BH, lideranças políticas e sociais discursaram contra o que chamaram de tentativa de “impunidade institucionalizada”. Representantes da CUT, da UNE, do MST, do MTST e de partidos como PT, PSOL e PCdoB marcaram presença.
Apesar da forte presença policial, a manifestação ocorreu de forma pacífica.
Programação nacional
Entre os atos mais esperados neste domingo estão:
Rio de Janeiro: Posto 5 de Copacabana, às 14h, com apresentações de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil.
São Paulo: Manifestação em frente ao MASP, na Avenida Paulista, também às 14h, com expectativa de público superior aos 8,8 mil presentes no último ato de 7 de setembro.
Brasília: Ato “Congresso Inimigo do Povo – Contra Anistia e a PEC da Blindagem”, em frente ao Museu Nacional, às 10h, apoiado por mais de 50 organizações locais.
Clima político
As manifestações deste domingo refletem o momento de tensão entre partidos de esquerda e o Congresso. A pressão popular busca barrar medidas que, segundo os organizadores, fragilizam a responsabilização de parlamentares e aceleram a pauta da anistia.




