Marco Antônio Lage rebate críticas e diz que política habitacional busca integração entre bairros em Itabira
Prefeito de Itabira rebateu críticas de moradores contrários à proposta e afirmou esperar que a resistência ao projeto seja um “mal-entendido” ou falta de informação

O prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), subiu o tom ao comentar as discussões envolvendo o Projeto de Lei 45/2026, que prevê a construção de 80 moradias populares em três bairros da cidade por meio do programa Minha Casa Minha Vida. Em entrevista concedida durante a 1ª Conferência Municipal dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de Itabira, o chefe do Executivo rebateu críticas feitas por moradores contrários à proposta e afirmou esperar que parte da resistência ao projeto seja fruto de “mal-entendido” ou falta de informação.
“Eu acho que a gente tem que levar cada vez mais informações sobre os nossos projetos, dessa política de habitação em Itabira, para as comunidades, para os bairros, para as pessoas”, afirmou.
O projeto prevê a doação de três terrenos ao Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), ligado à Caixa Econômica Federal, para a construção de 80 unidades habitacionais distribuídas entre os empreendimentos Pedras do Valle I, Pedras do Valle II e Fazenda do Lago.
+ Entenda o projeto que prevê a construção de 80 casas populares em Itabira
“Espero que não seja uma discussão hipócrita”
Durante a entrevista à DeFato, Marco Lage afirmou que a atual política habitacional do município busca romper com modelos antigos de concentração de moradias populares em áreas periféricas. Segundo ele, o governo não pretende repetir projetos anteriores marcados por grandes conjuntos habitacionais verticalizados.
“No meu governo nós não estamos verticalizando moradia popular, como aconteceu no passado e que já se demonstrou uma política equivocada”, declarou.
O prefeito também afirmou que a proposta atual busca distribuir os empreendimentos em diferentes bairros da cidade para garantir maior integração urbana e acesso à infraestrutura. Marco Antônio também criticou o que classificou como possível resistência social à presença de famílias de baixa renda em bairros considerados valorizados.
“Espero que não seja uma discussão hipócrita de pessoas de classe média não querendo pessoas mais pobres morando dentro dos seus vizinhos”, afirmou.
Marco Lage ainda completou: “Muitas vezes quem lava o banheiro do rico é o pobre. E ele tem que morar longe, afastado, ser absolutamente expurgado para a periferia da cidade e abandonado pelo serviço público”.
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Governo defende ocupação de “espaços vazios”
O prefeito afirmou que a política habitacional defendida pela administração municipal busca ocupar áreas urbanas já dotadas de infraestrutura, evitando a criação de novos bolsões de vulnerabilidade social. Segundo ele, a Prefeitura continuará investindo em projetos habitacionais em diferentes bairros da cidade, desde que existam terrenos disponíveis e viabilidade técnica e financeira.
“A prefeitura vai continuar investindo em moradias nessa política digna para as pessoas, nos bairros onde for possível, onde tiver terreno e onde economicamente a conta fechar”, afirmou.
O prefeito ressaltou, no entanto, que os empreendimentos não poderão ser construídos em condomínios fechados, já que nesses casos as áreas internas são consideradas propriedades privadas.
Projeto gera debate entre moradores
A proposta habitacional provocou intenso debate durante reunião realizada na Câmara de Itabira nesta terça-feira (12). Moradores dos bairros contemplados afirmaram não ser contra as moradias populares, mas cobraram mais diálogo e questionaram a infraestrutura das regiões escolhidas.
Entre as preocupações levantadas estão o abastecimento de água, aumento do trânsito, problemas na rede de esgoto, vagas em creches, crescente de demanda no transporte público, na coleta de lixo, além do crescimento populacional.
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Representantes do governo municipal, por outro lado, afirmaram que os terrenos passaram por análise técnica da Caixa Econômica Federal e atendem às exigências do programa Minha Casa Minha Vida, atualizadas em 2023.
Segundo a administração municipal, o novo modelo prioriza empreendimentos menores, distribuídos em diferentes bairros, em vez de grandes conjuntos habitacionais concentrados em regiões periféricas.
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