Martinho lamenta situação atual do Valério e diz que trabalho social do clube faz falta
Portaria do Valério, no bairro Campestre
O novo secretário municipal de Esportes e Juventude de Itabira, Martinho Francisco, conversou com a reportagem do portal DeFato Online nessa quinta-feira, 5 de janeiro. Um dos temas abordados foi a atual situação do Valério. Ele disse que o trabalho de base feito no clube também tinha um cunho social e que a extinção das escolinhas de esportes especializados, na opinião dele, pode ter contribuído para o aumento da delinquência infantil em bairros próximos ao centro esportivo.
Conhecedor profundo da situação, já que foi responsável pelo departamento de taekwondo do Valério durante 16 anos, Martinho explicou que na atual situação de verbas escassas na Prefeitura de Itabira é difícil imaginar que tipo de ajuda pode ser oferecida ao clube. A ideia inicial é de pelo menos manter os projetos sociais que são geridos pela administração pública nas dependências do Valério.
Em crise há muitos anos, principalmente depois que parou de receber ajuda da mineradora Vale, o clube do bairro Campestre teve de cortar todas as escolinhas de esportes especializados, mantendo apenas o futebol infantil e o profissional, que atualmente disputa a última divisão de Minas Gerais. Nesse período de inatividade, Martinho acredita que isso possa ter contribuído para o aumento da violência. “Muito dessa delinquência infantil e juvenil tem a ver com a queda do Valério. Querendo ou não, o especializado do Valério tinha um lado social. Naquela época ninguém percebia, não dava valor a esse trabalho que era feito lá nas bases do futebol e das escolinhas do especializado. Então, nós temos várias e várias gerações de pessoas que não precisavam se delinquir”, afirmou.
O secretário lamentou ainda os talentos desperdiçados em todo esse tempo que o clube deixou de formar atletas. “Muito talento jogado fora. E depois que o Valério fechou de vez, veja como que aumentou essa questão de criminalidade no Bela Vista, Campestre. Aquelas crianças que iam lá para o Valério fazer atividades físicas ou que fosse pelo menos para a praça de esportes brincar ou passear, não estavam envolvidas com questões erradas. O Valério fazia um papel social muito importante, mas devido a vários fatores, nós perdemos o Valério e está do jeito que tá”, concluiu.