Medalhas militares concedidas a Randolfe Rodrigues e José Guimarães azedam relação com as Forças Armadas
As honrarias recebidas pela dupla são do grau de Grande Oficial, o que os equipara a vice-almirantes da Marinha em cerimônias militares
No último dia 12 de julho, o deputado federal José Guimarães (PT) e o senador Randolfe Rodrigues (sem partido) receberam a medalha da Ordem Naval. A concessão dessa honraria aos parlamentares estremeceu a relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com militares da ativa e reserva.
As honrarias recebidas pela dupla são do grau de Grande Oficial, o que os equipara a vice-almirantes da Marinha em cerimônias militares. Outros parlamentares, 12 ministros do governo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, e 92 militares das Forças Armadas foram também condecorados.
O incômodo com a concessão das honrarias se concentra, principalmente, em José Guimarães. Isso porque em 2005, um então assessor do deputado foi preso no aeroporto de Congonhas com R$ 100 mil na cueca e R$ 250 mil em uma maleta. Posteriormente, Guimarães foi inocentado pela Justiça Federal do Ceará.
Em nota encaminhada ao jornal O Globo, a Marinha diz que “a admissão, promoção ou exclusão dos contemplados pela Ordem do Mérito Naval cabe ao comandante”. No entanto, a escolha é oficializada por Lula, na condição de presidente da República e Grão Mestre da Ordem, no Diário Oficial da União.
Criada por Getúlio Vargas em 1934, a medalha da Ordem Naval é concedida a militares da Marinha que se destacaram em suas carreiras e também a personalidades e instituições que tenham prestado serviços relevantes à Força, o que não seria o caso de Randolfe Rodrigues, José Guimarães e Nunes Marques.
Enquanto presidente, Jair Bolsonaro (PL-SP) também concedeu a medalha a personalidades que, a princípio, não se enquadra nos quesitos necessário. Entre os agraciados estão: o ex-governador do Rio, Wilson Witzel (PSC-RJ); o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG); o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD-PR); o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSB-RS); o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União-MT); e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).




