Médico de Maradona é acusado por homicídio culposo do craque
Procuradores buscam determinar se o astro recebeu os cuidados necessários e quais foram as circunstâncias de suas últimas horas

O médico de Diego Maradona, Leopoldo Luque foi acusado formalmente por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A informação foi publicada neste domingo (29). Um juiz também autorizou a busca na casa e na clínica do médico.
O médico terá de testemunhar perante o Ministério Público por suspeita de negligência médica nos últimos dias de vida do ex-jogador. Diego Maradona faleceu na última quarta-feira (25), aos 60 anos, vítima de uma parada cardíaca.
A promotoria argentina busca respostas para a suspeita de que o ex-jogador não teve alta médica quando foi transferido de uma clínica, após ser operado de tumor na cabeça, para a casa onde morreu, em Tigre (30 km ao norte de Buenos Aires).
Os procuradores buscam determinar se o astro recebeu os cuidados necessários e quais foram as circunstâncias de suas últimas horas. Matías Morla, advogado e amigo de Maradona, denunciou na quinta-feira “que a ambulância demorou mais de meia hora para chegar à casa”. Por isso, ele avisou que irá “até o fim” para esclarecer o ocorrido.
Porém, nem o advogado e nem parentes do ídolo argentino não foram à justiça em busca de esclarecimentos até agora. A investigação foi iniciada porque ninguém assinou a certidão de óbito. O caso aberto pela Procuradoria Geral da República de San Isidro intitula-se “Maradona, Diego. Investigação da causa da morte”.
As últimas horas
A procuradoria já deu início ao interrogatório. “Ficou estabelecido que [uma enfermeira encarregada de cuidar de Maradona] teria sido a última pessoa a vê-lo com vida por volta das 6h30 da manhã (quarta-feira), no horário da troca da guarda”, informou em comunicado a procuradoria.
Em depoimento prestado na quinta-feira, a mesma enfermeira afirmou ter encontrado Maradona descansando em sua cama. E mais, ela garantiu que ele respirava normalmente. Até esta declaração, acreditava-se que a última pessoa que o tinha visto com vida teria sido seu sobrinho Johnny Herrera, às 23h30 da terça-feira, de acordo com seu depoimento.
Porém, a enfermeira presente no momento do falecimento deu novo depoimento. “Ela disse que por volta das 7h30 ela o teria ouvido se mover dentro do quarto”. A psiquiatra Agustina Cosachov e psicólogo Carlos Díaz que perceberam, por volta das 12h, que Maradona não reagia, dando início ao chamado de socorro.
A primeira ligação para a empresa do plano de saúde de Maradona foi feita às 12h17. Um minuto antes, uma ligação para o número de emergência (911) feita pelo médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque, foi gravada. A primeira ambulância chegou às 12h27. A entrada de outras ambulâncias foi então observada, disse a procuradoria.
Saúde precária
Após a cirurgia, a recuperação estava indo bem, segundo seu médico. Mas, a saúde de Maradona, era precária. Ele passava por uma abstinência de álcool, que costumava misturar com os muitos medicamentos prescritos que tomava.