Minas tem maior alta do país e registra 9,1 mil desaparecidos em 2025
Número cresceu 30,5% em um ano e colocou o estado em segundo lugar no total de registros, atrás apenas de São Paulo

Minas Gerais registrou 9.123 pessoas desaparecidas em 2025, o maior número da série recente do estado e uma alta de 30,5% em relação ao ano anterior. O crescimento foi o mais elevado entre todas as unidades da Federação, conforme o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O total representa 2.153 registros a mais que os 6.970 contabilizados em 2024. Em números absolutos, Minas teve a segunda maior quantidade de desaparecimentos do país, atrás apenas de São Paulo, que somou 18.776 casos no último ano.
A taxa mineira passou de 32,7 para 42,6 desaparecimentos por grupo de 100 mil habitantes. O índice ficou acima da média brasileira, de 39,5 registros por 100 mil habitantes, embora outros estados apresentem taxas maiores.
No Brasil, foram comunicados às polícias 84.269 desaparecimentos em 2025, ante 81.040 no ano anterior. A alta nacional foi de 3,6%, percentual inferior ao observado em Minas. Depois do estado mineiro, os maiores crescimentos foram registrados no Maranhão, com 29,8%, e no Piauí, com 20,5%.
O anuário não aponta uma explicação única para a elevação dos registros em Minas Gerais. O estudo observa que Maranhão e Piauí enfrentam disputas territoriais ligadas ao controle do tráfico de drogas, enquanto o estado mineiro não possui o mesmo histórico de conflitos entre organizações criminosas.
O documento ressalta, porém, que os dados disponíveis não permitem relacionar o aumento dos desaparecimentos à atuação do crime organizado ou a outros crimes. Para o Fórum, a oscilação exige investigação conjunta e integração entre as forças de segurança para identificar vulnerabilidades e diferenças regionais que possam ajudar a explicar o avanço.
Uma das dificuldades está na própria classificação dos casos. A legislação brasileira considera desaparecida qualquer pessoa com paradeiro desconhecido, independentemente da causa, até que a localização e a identificação sejam confirmadas.
A mesma categoria reúne, portanto, situações distintas, como afastamentos voluntários, conflitos familiares, problemas de saúde mental, violência doméstica, acidentes, exploração sexual, tráfico de pessoas e mortes em que o corpo não foi encontrado. Segundo o anuário, a falta de diferenciação limita a compreensão dos dados e dificulta a criação de protocolos específicos para cada circunstância.
Minas também informou a localização de 6.643 pessoas em 2025, aumento diante das 5.373 contabilizadas no ano anterior. Esses números, no entanto, não significam que a mesma quantidade de casos registrados no período tenha sido solucionada.
O anuário explica que não foi possível determinar se as pessoas foram encontradas vivas ou mortas, quando o desaparecimento foi comunicado ou se a localização está vinculada a um registro anterior. Por isso, os dados não permitem concluir quantas das 9.123 pessoas registradas em Minas em 2025 continuam desaparecidas.
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o enfrentamento do problema depende da padronização dos sistemas de segurança, saúde e assistência social, além de maior troca de informações entre os órgãos. Sem essas mudanças, os números podem reunir casos de diferentes períodos e situações, dificultando tanto as buscas quanto a formulação de políticas públicas.