Minas vai cobrar pelo uso da água de mais duas bacias
Quase seco. A falta de chuva castiga a Barragem do Benfica, em Itaúna, que está com nível de água bem baixo do normal para época
Ainda neste ano, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) vai começar a cobrar pelo uso das águas dos rios da bacia do Pará, no Centro-Oeste de Minas, e dos rios Preto Paraibuna e Pomba Muriaé, ambos na bacia do Paraíba do Sul, na Zona da Mata. A medida segue o que já vem acontecendo nas bacias dos rios das Velhas, Araguari e Doce e, com o cenário de escassez de água, deve ser tornar uma tendência nos próximos anos.
“A partir do momento em que há a cobrança, se pensa duas vezes no que vai gastar”, diz a diretora geral do Igam, Marília Melo. A cobrança é para captação direta no rio, feito, normalmente para uso industrial ou na agricultura. A água usada no abastecimento público já é cobrada. Na bacia do Pará, o metro cúbico vai custar R$ 0,02 e nos rios do Paraíba do Sul, R$ 0,01. O recurso arrecadado é aplicado em programas de melhoria da própria bacia.
O diretor da PWC Brasil e especialista em sustentabilidade, Carlos Rossin, acredita que a cobrança pelos diversos usos da água deve crescer nos próximos anos. “Nós atribuimos um valor muito baixo à água. A partir da escassez, esse valor cresce”, explica. De acordo com ele, a água representa apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo.
Estiagem. A discussão sobre os diversos usos da água é a bola da vez. Hoje, é comemorado o Dia Mundial da Água e o tema ganha força, especialmente no Brasil, que vive um momento de estiagem prolongada que tem deixado os reservatórios muito abaixo do nível normal e ameaça provocar um racionamento de energia como aconteceu em 2001.
Em Minas Gerais, o reservatório de Furnas está com 28,51% da sua capacidade e Três Marias, com 19,48%, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS). No Centro-Oeste, a represa Benfica, em Itaúna, está com apenas 20% de sua capacidade.
Enquanto a disponibilidade do líquido diminui, a demanda cresce. De acordo com relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), até 2030, o mundo precisará de 35% a mais de alimento, 40% a mais de água e 50% a mais de energia.
Energia e água estão no topo da agenda global de desenvolvimento, segundo o reitor da Universidade das Nações Unidas, David Malone, que este ano é o coordenador do Dia Mundial da Água em nome da ONU-Água, juntamente com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido).
O secretário-geral da Organização Meteorológica Global e membro da ONU-Água, Michel Jarraud, reforça, em nota divulgada pela entidade, que água e energia estão entre os desafios globais mais iminentes. Ele considera “inadmissível” que 768 milhões de pessoas não tenham acesso à água tratada e 1,3 bilhão ainda vivam sem energia elétrica. (O Tempo)