MMX investe R$ 3,5 bi e prevê mais R$ 1,5 bi para Minas Gerais

Investimentos de R$ 3,5 bilhões foram anunciados, ontem, pela MMX, mineradora do grupo EBX, do bilionário Eike Batista, para expansão das operações da companhia, de 2011 a 2016, na Serra Azul de Minas Gerais, porção rica em minério de ferro da Região Central do estado. O pacote de recursos compreende a construção de uma usina […]

Investimentos de R$ 3,5 bilhões foram anunciados, ontem, pela MMX, mineradora do grupo EBX, do bilionário Eike Batista, para expansão das operações da companhia, de 2011 a 2016, na Serra Azul de Minas Gerais, porção rica em minério de ferro da Região Central do estado. O pacote de recursos compreende a construção de uma usina de processamento de minério com capacidade de produção de 24 milhões de toneladas por ano e de um terminal ferroviário às margens dos trilhos da MRS Logística, além de uma correia transportadora de 10 quilômetros ligando a lavra ao embarque férreo. O presidente da empresa, Roger Downey, afirmou que faz parte dos planos futuros da MMX construir uma unidade de pelotização, que transforma o minério em pelotas de uso direto nos altos-fornos das siderúgicas.

“A pelotização é fatalmente o caminho que vamos perseguir. Isso, à medida em que os minérios ficam mais pobres (em teor de ferro) e duros”, afirmou o executivo, também responsável pela diretoria de relações com investidores. Outro aporte de R$ 1,5 bilhão consta como previsão de investimentos comunicada pela MMX à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o desenvolvimento do projeto Bom Sucesso, envolvendo a abertura de uma reserva de minério de ferro de alto teor de magnetita no município de mesmo nome no Centro-Oeste de Minas, distante 200 quilômetros de Belo Horizonte.

As cifras anunciadas para Serra Azul contemplam a produção de minério apenas das minas próprias, de Tico-Tico e Ipê, exploradas pela MMX, que, de janeiro a setembro, acumularam uma produção de 5,6 milhões de toneladas. A capacidade total de produção é de 8,7 milhões de toneladas, portanto crescerá mais de duas vezes e meia, pelos planos da mineradora. O presidente da MMX se considera um otimista com os rumos da demanda mundial de minério de ferro, puxada pela China e a Índia.

A produção será escoada por meio do trilhos da MRS até o Superporto Sudeste, da LLX, também do grupo de Eike Batista, em fase de construção em Itaguaí, no litoral do Rio de Janeiro. Antes mesmo de colocar o terminal em operação, com capacidade para 50 milhões de toneladas de minério de ferro, o grupo EBX comprou área contíngua prevendo dobrar os volumes de transporte da matéria-prima. Segundo Downey, a MMX mantém o interesse em se associar a outros mineradores da Serra Azul, a exemplo de entendimentos já anunciados com a Usiminas – ainda há ativos cobiçados como os das empresas Minerita e MBL –, para compartilhar a operação e a logística de escoamento.

O financiamento do plano de expansão não será problema para a MMX, de acordo com Downey. Do investimento total definido na Serra Azul, 75% serão financiados em dólares, opção que permite à companhia garantir o equilíbrio entre dívidas e receitas futuras, também apuradas na moeda estrangeira. Essa parcela equivale a US$ 1,4 bilhão, dos quais US$ 800 milhões já estariam assegurados em linhas de empréstimo negociadas com três bancos privados, dentro de um acordo ainda mantido sob confidencialidade.