Moradores removidos em Barão buscarão auxílio do MPMG para analisar posicionamentos da Vale

A comissão formada pelos moradores que tiveram que deixar suas casas no mês passado, em Barão de Cocais, pretende se reunir com membros do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para analisar um documento encaminhado pela Vale com respostas a 21 questões elaboradas pelas comunidades. O prazo para conclusão das mudanças de hotéis para casas […]

Moradores removidos em Barão buscarão auxílio do MPMG para analisar posicionamentos da Vale
Moradores e Vale discutem pontos sem consenso após remoção – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

A comissão formada pelos moradores que tiveram que deixar suas casas no mês passado, em Barão de Cocais, pretende se reunir com membros do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para analisar um documento encaminhado pela Vale com respostas a 21 questões elaboradas pelas comunidades. O prazo para conclusão das mudanças de hotéis para casas alugadas e a incerteza quanto ao período de interdição das localidades é o que mais tem incomodado essas pessoas.

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Comunidade e Vale se reuniram nessa segunda-feira, 18 de março, em debate público organizado em Barão de Cocais pela comissão externa montada na Câmara Federal após o desastre de Brumadinho. Durante o encontro, os representantes da mineradora responderam um a um os questionamentos encaminhados pela comunidade. Depois, oficializaram o posicionamento em um documento ao qual DeFato Online teve acesso.

Esse documento será levado ao conhecimento de promotores em Belo Horizonte que acompanham o desenrolar da evacuação dos 492 moradores das comunidades de Socorro, Piteiras, Tabuleiro e Vila do Gongo, todos próximos à barragem Sul Superior, da Vale. “Vamos buscar esse direcionamento para levantar alguns pontos que podemos melhorar e rediscutir com a Vale”, comenta Izabel Batista, vice-presidente da Associação Comunitária de Desenvolvimento do Socorro e uma das integrantes da comissão dos removidos.

O ponto mais questionado pelos moradores é o prazo estabelecido pela Vale para concluir as mudanças daqueles que ainda estão em hotéis para casas alugadas pela mineradora. Tanto na reunião quanto no documento formalizado, a mineradora diz que esse processo deverá ser encerrado em 90 dias. Até o momento, 23 famílias foram realocadas e outras 27 já deram o aceite das residências indicadas pela empresa. Restariam ainda mais 100 famílias que ainda nem sabem para onde irão.

“Já estamos em hotéis há 40 dias e ainda teremos que esperar mais três meses? É um prazo muito longo”, reclama a líder comunitária Izabel. Ela, no entanto, reconhece que há dificuldades em encontrar residências disponíveis para locação em Barão de Cocais e que a agilidade desse processo poderá passar pela aceitação de algumas famílias em irem para cidades vizinhas. “É algo que teremos que conversar com os moradores, saber quem tem esse interesse”, pondera.

Ações

No documento entregue aos moradores a Vale reafirma que custeará as contas essenciais dos moradores enquanto estiverem em casas de alugueis. A mineradora também se comprometeu a instalar antes de TV a cabo nas residências. Enquanto estiverem fora de suas comunidades, cada família removida receberá R$ 405,20 acrescidos de 20% por dependente.

Um dos pedidos feitos pelos moradores é de que tenham acesso às comunidades para a retirada de bens pessoais. A Vale respondeu que isso só será possível em caso de uma recomendação do Ministério Público, já que a determinação judicial é de que o acesso às localidades se mantenha bloqueado. A mineradora afirmou que os imóveis e outros bens estão sob sua responsabilidade e são monitorados por equipes de segurança dela própria e por rondas periódicas da Polícia Militar.

Sobre os animais, a Vale informou que já entregou aos proprietários cerca de 400 bichos. Os demais foram retirados das comunidades e encaminhados a uma fazenda mantida pela mineradora. Ainda de acordo com a empresa, está sendo elaborado um cronograma de visitas dos moradores ao local onde os animais estão alojados.

Outra dúvida é com relação às indenizações. Segundo a Vale, a expectativa é que nesta semana seja concluída a matriz de danos junto à Defensoria Pública de Barão de Cocais. A partir daí, serão montados os escritórios para discussão dos valores.