Mulher presa em Monlevade é suspeita de aplicar golpes em aplicativo de relacionamento
Mulher é acusada de usar fotos de outras pessoas para aplicar golpes nas vítimas
Uma mulher de 30 anos, acusada de praticar golpes através de aplicativos de relacionamento, como o Tinder, foi presa em João Monlevade e apresentada nesta segunda-feira, 13 de março, na 2ª Delegacia de Crimes Cibernéticos, em Belo Horizonte. Segundo os investigadores, uma das vítimas chegou a fazer depósitos de cerca de R$ 30 mil na conta da suposta estelionatária.
O órgão ligado ao Departamento Estadual de Investigação de Fraudes da Polícia Civil de Minas Gerais informou que conseguiu identificar quatro mulheres, com idades entre 36 e 40 anos, que foram vítimas do crime. Ao todo, nos casos relatados, ela conseguiu arrecadar R$ 50 mil. O perfil das vítimas mostra que elas tinham curso superior, família e eram de classe média alta, segundo a delegada Renata Fagundes, da 2ª delegacia de Crimes Cibernéticos, do Departamento Estadual de Investigação de Fraudes da PC.
Segundo a PC, a suspeita criava perfis masculinos e femininos nas redes sociais utilizando fotos de outras pessoas para manter relacionamentos virtuais com as vítimas. Pierre, Bernardo, Tiago e Virgínia foram alguns dos nomes e personagens adotados pela suspeita para conversar com as mulheres.
De acordo com a delegada, a suspeita mantinha relacionamentos virtuais com as vítimas, que duraram de um a cinco meses, dependendo do caso. Os diálogos eram constantes e, em certo momento, ela inventava situações de emergência em que precisava de dinheiro emprestado e convencia as mulheres a dar a quantia pedida. Em uma das ocasiões, apontou a PC, a investigada afirmou que era piloto de avião de uma companhia aérea francesa. O homem estaria afastado do trabalho e precisava de R$ 3 mil emprestados para comprar uma passagem para buscar uma indenização de 80 mil euros.
Rede de mentiras
A Polícia Civil afirmou que o golpe aplicado apresentava uma teia de mentiras complexa, onde a suspeita se aproximava e conquistava a confiança das mulheres dizendo que era irmã dos personagens que ela representava. Assim, ela tinha contato pessoal e convívio frequente com as vítimas, e reforçava a veracidade das histórias que contava. Todos os depósitos bancários eram feitos na conta da própria acusada, que representava o papel de irmã.
Uma das vítimas conheceu pessoalmente a investigada e a mãe dela. Além disso, a suspeita morou na casa de uma das namoradas ao mesmo tempo em que trabalhava como doméstica na residência de outra. Quando as mulheres suspeitaram que o relacionamento era falso e denunciaram o caso à Polícia Civil, segundo uma das vítimas, a suspeita chegou a fazer ameaças de morte aos filhos de uma delas. A delegada ainda contou que ao descobrir a farsa e perceber que o namorado virtual não existia, a mulher que manteve o relacionamento mais longo, de cinco meses, chegou a tentar suicídio.
A suspeita está presa preventivamente e responderá pelo crime de estelionato, que tem pena de um a cinco anos de prisão. Ela também já tem passagem pela polícia por ameaça.
Mais vítimas
A delegada Renata Fagundes disse acreditar que hajam outras vítimas do crime. Ela relata que na quinta-feira da semana passada, 9 de março, dia da prisão da suspeita, ela ainda mantinha o perfil no Tinder, se apresentando como Virgínia. Ela alerta para que homens e mulheres fiquem atentos ao utilizar a rede social e evitem depositar dinheiro para estranhos.
"Se você conheceu a pessoa e iniciou um relacionamento, tente não criar um vínculo tão rapidamente. Se ela começou a te pedir dinheiro por algum motivo, qualquer que seja a alegação, desconfie", afirmou a delegada, em fala reproduzida pelo Jornal Hoje em Dia. A policial recomenda ainda que as pessoas que estão em relações virtuais busquem as imagens utilizadas pelo parceiro ou pela parceira na internet, para verificar a veracidade das fotografias.