No 118º aniversário do poeta, obra de Drummond segue mais relevante do que nunca
No 118º aniversário do poeta, obra de Drummond segue mais relevante do que nunca
Confira a matéria especial da DeFato Online sobre o maior ícone do município
Por: Victor Eduardo
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31/10/2020 às 08h00
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Atualizada em: 31/10/20 às 10h20
Foto: Divulgação
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Mais do que uma coincidência, talvez o universo tenha conspirado para que Carlos Drummond de Andrade nascesse, justamente, no dia 31 de outubro. Seria um equívoco astral ver Itabira comemorar seu aniversário (9 de outubro) em outro mês que não fosse o do nascimento do seu poeta maior.
Neste sábado (31), Drummond celebraria seu 118ª aniversário. Nascido em 1902, o gênio da literatura viveu em Itabira até 1916 e faleceu em 1987, quando residia no Rio de Janeiro. A infância na terra da pedra que brilha serviu como inspiração para várias das suas obras mais cultuadas, como “O maior trem do mundo”, “Confidência do Itabirano” e “Coqueiro do Batistinha”.
O legado de Drummond é tão grande que importantes locais da cidade, como a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e o Memorial Carlos Drummond de Andrade, levam seu nome. Outros, como a Fazenda do Pontal e a Casa de Drummond, fizeram parte da vida do artista e recebem várias visitas anualmente. Ademais, a obra do poeta continua muito atual, como afirma a superintendente da FCCDA, Martha Mousinho.
“Drummond morreu em 1987 achando que dez anos depois ninguém lembraria dele, mas seus livros estão sendo sempre renovados, reeditados e publicados, porque ele é um poeta atemporal. Ele falou de tudo, das coisas mínimas, locais, mas também da pedra, dos sonhos, do amor, a melancolia. Então são temas que perpassam séculos”, explica.
Uma missão da Fundação, segundo Martha, é fazer com que a cidade respire a arte do poeta. Para isso, várias ações são promovidas há anos, como o grupo “Drummonzinhos”, criado no centenário do artista, em 2002.
“É um programa para crianças em situação de vulnerabilidade social. Elas são trabalhadas em todo o contexto de socialização, estudam a obra de Drummond, declamam poemas e acompanham visitantes nos caminhos drummondianos. A partir do projeto, estas crianças começam a ter um outro olhar sobre o mundo, sobre a própria existência. Eles já foram convidados para se apresentarem em Portugal, Itália, Alemanha e vários lugares no Brasil”, relata.
Martha Mousinho e o seu livro preferido de Drummond, “Claro Enigma”. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online
Os caminhos drummondianos, citados por Martha, fazem parte de um museu territorial criado em 1997. Ele consiste na implantação de 44 placas, colocadas, estrategicamente, em pontos de Itabira relacionados a Drummond, como a Fazenda do Pontal e o Parque da Água Santa. Cada placa traz consigo um poema ligado àquele local específico.
O beco do calvário, no centro de Itabira, faz parte dos caminhos drummondianos. Foto: Gustavo Linhares/FCCDA
Outra ação de destaque é a “Semana Drummondiana”, criada em 2000. Em 2020, a 19ª edição do projeto chega ao fim neste sábado (31). O tema escolhido foi a poesia “A Palavra Minas”, e o objetivo será promover um passeio pela arte de Minas Gerais por meio da obra do escritor itabirano.
Portal de Boas-Vindas
Em setembro deste ano, a Prefeitura de Itabira inaugurou um portal de boas-vindas no bairro Chapada. A obra, idealizada pelo arquiteto itabirano Rafael Cerceau, possui 11 metros de altura e traz a frase “Terra do Poeta Carlos Drummond de Andrade”.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo, Don Carlos Santos, o portal também faz parte da tentativa de criar uma identidade maior entre o município e sua figura mais icônica.
“O poeta maior Carlos Drummond de Andrade é uma riqueza incomensurável de Itabira e um atrativo turístico. Muitos visitantes vêm à cidade para conhecer as suas obras, o local onde ele morou e percorrer o museu de território ‘Caminhos Drummondianos’. O portal é um atrativo a mais e identifica Itabira, fazendo uma inter-relação com o nosso poeta”, destaca.
Portal na entrada do bairro Chapada – Foto: Prefeitura de Itabira
A pessoa por trás do gênio
Uma pessoa afetuosa, carinhosa e presente. É dessa forma que Otávia Senhorinha, sobrinha-neta de Drummond, descreve o seu tio. A relação entre os dois, por conta da distância, se baseava em cartas e telefonemas.
“Minha relação com Drummond sempre foi de muito afeto. Quando criança, eu mandava vários desenhos e ele respondia. Tínhamos uma relação que era basicamente telefônica, porque toda semana ele ligava pra minha mãe e, quando eu atendia o telefone, a gente sempre voltava aos mesmos assuntos. Então era uma pessoa extremamente participativa na vida da minha família, embora estivesse distante”, recorda a sobrinha.
Quem diz algo parecido é o neto do escritor, Pedro Drummond. Ele, que já esteve à frente de vários projetos que homenageavam seu avô, o descreve como um ser humano “atencioso, carinhoso e brincalhão com os netos”. Segundo Pedro, a melhor forma de celebrar a data é continuar consumindo a obra drummondiana.
“Acho que seria bom que as pessoas, principalmente as novas gerações, leiam mais. Porque a leitura é uma das principais ferramentas para nos afastar da ignorância. Se lerem a obra de Carlos, garanto que irão gostar. Ele é um desses autores cuja obra toca fundo no coração de cada um”.
Um jovem Pedro ao lado dos avós, Dolores Drummond e Carlos Drummond de Andrade. Foto: Pedro Drummond/Arquivo pessoal