“Nosso coração sangra”: coronel se emociona ao falar sobre militares mortos em queda de avião da PM
Flávio Santiago classificou coletiva como a mais difícil de sua carreira e destacou a trajetória das vítimas, incluindo uma tenente que havia retornado recentemente da licença-maternidade
O diretor de Comunicação Organizacional da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Flávio Santiago, se emocionou ao falar sobre a morte de três militares na queda de uma aeronave da corporação, nesta sexta-feira (9), nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, região de Ipatinga. Durante entrevista coletiva, ele lamentou as mortes e destacou a trajetória dos profissionais na aviação policial.
“Talvez seja a coletiva mais difícil da minha vida”, afirmou Santiago. Com 29 anos de corporação, sendo 11 na área de comunicação, o coronel interrompeu a fala em alguns momentos ao comentar a perda dos colegas.
O acidente envolveu a aeronave Pegasus 17, que havia saído de Belo Horizonte com destino à região de Ipatinga para um voo de rechecagem de habilitação. Morreram o tenente-coronel Luis Silvestre, de 49 anos, e as primeiras-tenentes Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice Almeida. “Nosso coração sangra nesse instante”, declarou o oficial.
Ao falar sobre os militares, Santiago destacou a experiência da equipe e a atuação da aviação policial em operações de segurança pública, salvamentos e transporte de órgãos para transplantes. Segundo ele, Silvestre acumulava mais de 5 mil horas de voo e era o instrutor mais experiente da corporação. As duas tenentes também tinham experiência na atividade, com cerca de 300 horas de voo cada.
“Perdemos três asas indomáveis, pessoas que faziam um trabalho importantíssimo”, afirmou.
Silvestre deixa esposa e três filhos. Gabriela Emília tinha dois filhos pequenos e havia retornado recentemente da licença-maternidade. Alice Almeida havia servido por sete anos no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais antes de ingressar na PM.
Durante a coletiva, um jornalista perguntou sobre o retorno de Gabriela ao trabalho após a licença-maternidade. Santiago confirmou a informação e falou sobre o impacto da morte da militar. A corporação informou que está organizando o acolhimento dos familiares, com apoio psicológico.
Além de lamentar as mortes, o coronel apresentou informações sobre o voo e ressaltou que ainda não há uma conclusão sobre as causas do acidente.
A aeronave saiu de Belo Horizonte entre 15h e 16h. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 16h15 para atender à ocorrência nas proximidades da pista do Aeroporto Regional do Vale do Aço. Quando as equipes chegaram ao local, os três ocupantes já não apresentavam sinais vitais.
Segundo Santiago, o deslocamento tinha como objetivo a rechecagem periódica da habilitação dos pilotos, e não o transporte de órgãos. O procedimento avalia a capacidade técnica dos profissionais para a atividade aérea.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à Aeronáutica, ficará responsável pela investigação. Até o momento, não há informações conclusivas sobre eventual pedido de socorro, comunicação de falha ou se a aeronave estava em procedimento de decolagem ou aterrissagem.
O coronel também informou que os pilotos estavam com as habilitações em dia e que a aeronave havia passado por modernização e substituição de equipamentos. Ele ressaltou, porém, que esses dados não permitem antecipar as causas da queda.