Novela de terceira
Luzardo Drummond e a diretoria do VEC não querem repetir os mesmos erros no ano que vem
Matéria publicada na edição 264 da Revista DeFato
Há quatro anos na Terceira Divisão do Campeonato Mineiro, o Valério, mais uma vez, não conseguiu o acesso para o Módulo II e vai amargar mais um ano na última divisão do futebol de Minas Gerais. A cada temporada repete-se o capítulo dessa novela, mais dramática que produção mexicana.
Como nos últimos anos, o Dragão se saiu bem na primeira fase da competição e nos jogos iniciais da fase hexagonal fi nal, mas começou a derrapar a partir da última metade da fase decisiva. O elenco, que apresentava bons e renomados valores individuais, não conseguiu alcançar os resultados que deles se esperavam. Além disso, novamente problemas internos foram determinantes para impedir a escalada do time rumo à glória.
Após o fi m da competição, a diretoria valeriana avaliou todo o trabalho desenvolvido. O presidente do clube, Luzardo Drummond, apontou erros e revelou parte dos problemas. O mandatário se surpreendeu com a não classificação do time, pois considerava ter montado uma equipe vencedora. “Montamos uma boa equipe, mas houve problemas envolvendo jogadores, comissão técnica e diretoria. Entendemos que da nossa parte foi feito um trabalho transparente, com muita luta, seriedade e honestidade”, declarou.
Para o presidente, faltou ter montado uma “ótima comissão técnica”. A figura de um supervisor de futebol para acompanhar o dia a dia do clube auxiliaria a diretoria a lidar com os problemas existentes no elenco. “O gerente de futebol serve como para-raios entre diretores e o corpo do futebol. Já estamos pensando nas pessoas para o ano que vem. Até janeiro teremos uma posição sobre esse novo método de trabalho”, revelou.
Erros
A diretoria assume parte da culpa pela má campanha da equipe na segunda fase e lamenta não ter tomado decisões no momento certo. “Deveríamos ter tomado atitude antes que a vaga fosse pro brejo”. Sem papas na língua, o presidente afi rma que os jogadores “oraram demais e se esqueceram de jogar”. “Não adianta fi car só rezando. Tinha dia que meia noite o pessoal estava no campo orando, mas esqueceram de trabalhar né? Essa é a realidade”, criticou Luzardo, declarando-se temente a Deus e citando “faça sua parte que eu te ajudarei”.
Jogadores e Comissão Técnica
Individualmente falando, a diretoria avaliou como ‘nota 10’ os jogadores que participaram da campanha. Por outro lado criticou a existência de grupos dentro do elenco. “Futebol é uma equipe dentro e fora de campo. Mas havia o grupo dos jogadores vindos de Governador Valadares, o grupo do PC Alencar e o grupo de Itabira”, revelou Drummond.
O time enfrentou alguns problemas entre jogadores, comissão técnica e direção. Discussões em vestiários, atrasos de jogadores e do treinador para viagens e reclamações quanto ao pagamento de salários acabou prejudicando o bom relacionamento entre as partes.
Como exemplo, Luzardo citou o primeiro jogo do hexagonal final, contra o Funorte, em Montes Claros. Segundo ele, um problema entre um atleta e o técnico acabou prejudicando a viagem do clube, que saiu com mais de uma hora e meia de atraso. “Os horários de viagens e treinos não eram cumpridos. Não se preocupavam muito. Deveriam ter entendido que o Valério é uma entidade que merece respeito”, avaliou.
O clube nunca escondeu a dificuldade para pagar os salários, no entanto sempre tentou cumprir com os compromissos. “Tumultuaram o clube ameaçando fazer greve sobre o salário de novembro, mesmo com prazo de pagamento ainda sem vencer”, reclama.
Patrocinadores
Segundo Luzardo, os apoiadores foram importantes nesta temporada e espera que a confi ança dos empresários no clube se mantenha para o ano seguinte. Com os patrocinadores, o Valério não teve que arcar com alimentação de atletas e logísticas de viagem, por exemplo. “Desde que estou aqui, nunca tivemos tanto apoio. Vamos continuar organizando a parte fi scal e ver se as coisas fl uem melhor em 2015”, afirmou.
Torcida e ingressos
A diretoria citou as constantes reclamações sobre os preços dos ingressos, mas justificou que os valores possibilitavam o cumprimento dos compromissos. “Não tivemos bom resultado com o sócio-torcedor, que era a oportunidade do itabirano pagar menos pelos jogos”, alertou.
Luzardo ainda prometeu valorizar mais o torcedor itabirano e buscar alternativas para que todos ajudem o clube. “Vemos críticas, muitas vezes pesadas, na internet. Estamos abertos a qualquer um que queira vir para somar”, disse.
Finanças
O Valério ainda não fechou o balanço do ano, mas segundo Robson Faria, diretor de marketing, há um saldo positivo no clube. “Os valores dos ingressos ajudaram a pagar os borderôs. Não virou prejuízo. Além disso, os patrocinadores ajudaram a custear viagens e alimentação”, analisa.
Valorização de Itabiranos
Luzardo revelou que foi proposto ao treinador a valorização de atletas itabiranos, mas os jogadores acabaram tendo poucas oportunidades. Para o ano seguinte, a diretoria pretende valorizar o auxiliar Carlos Maurício, o Mauricinho, e acredita que, pela história que o ex-jogador tem com o clube, merece ter seu trabalho reconhecido. “Vamos pensar, não vou falar que vai ser efetivado, mas vamos discutir com a diretoria”, apontou a possibilidade.
Os jogadores da casa, Cleisson, Ulisses, Igor, Pedro Maia e Guilherme Paiva, mantém contrato com o clube para o próximo ano. A fortifi cação das categorias de base também é objetivo da presidência. Aprendizado O presidente ressaltou que aprendeu a tomar atitudes com a razão e não com o coração. “Tivemos para tomar providências, mas não fi zemos. Sempre com esperança. O futebol não vive de esperança, vive de resultados. Fica o aprendizado”, fi nalizou Luzardo.