Número de crianças que postam fotos nuas na internet cresce 360%

Internet Watch Foundation mostra que quase 20 mil imagens inadequadas feitas por crianças foram achadas nas redes

Número de crianças que postam fotos nuas na internet cresce 360%
Foto: Pexels / Cottonbro

Uma pesquisa da instituição Internet Watch Foundation (IWF) gerou um relatório preocupante. Segundo os dados do estudo, apenas nos primeiros seis meses deste ano, foram publicadas na internet 19.760 selfies de crianças, com idade entre 7 e 10 anos, com conteúdo de nudez ou sexual. O número representa um aumento de 360%, em comparação ao mesmo período de 2020.

Para a instituição, esse aumento representa uma “emergência social e digital”. Porém esse não é o único dado surpreendente. Entre o grupo de crianças de 11 a 13 anos, o número de imagens desse tipo é ainda maior. No primeiro semestre de 2022, a instituição descobriu mais de 56 mil fotos com o mesmo teor. Isso caracteriza um aumento de 107%, em relação a 2020.

As imagens encontradas e analisadas pela IWF, em geral, são filmadas em vídeo, por meio de chats na internet, em que crianças conversam com adultos ou crianças mais velhas. Além disso, a instituição acredita que os menores são coagidas a tirar a roupa, mostrar partes do corpo ou performar atos inadequados diante das câmeras de seus computadores ou celulares.

Na sequência, os vídeos e fotos são compartilhados ou vendido pela rede. Em alguns casos, essas mesmas imagens são usadas para que as crianças sejam chantageadas e, desta forma, sentem-se obrigadas a fazer fotos e vídeos ainda mais explícitos e enviar aos aliciadores.

“Não podemos simplesmente aceitar, ano após ano, que imagens sexuais de crianças possam ser trocadas sem restrições online. As crianças não têm culpa. Muitas vezes, elas são coagidas, enganadas ou pressionadas por abusadores sexuais”, declarou Susie Hargreaves, da IWF, que monitora a web em busca de imagens de abuso infantil.

A instituição também cria uma lista de páginas que podem ser bloqueadas pelos provedores de internet. “Precisamos atacar essa criminalidade de várias direções, incluindo fornecendo apoio aos pais e cuidadores, para que tenham discussões positivas sobre o uso de tecnologia e abuso sexual”, disse Hargreaves.