Ocupando espaços: “itabirana” Amanda Drumond tem projeto de gestão de dados reconhecido por programa ligado à Câmara da Alemanha

Iniciativa pode ser aplicada em áreas como saúde e mobilidade, com uso de dados para melhorar o planejamento e os serviços públicos em Itabira

Ocupando espaços: “itabirana” Amanda Drumond tem projeto de gestão de dados reconhecido por programa ligado à Câmara da Alemanha
Foto: Arquivo Pessoal

Com raízes itabiranas, a empresária Amanda Drumond vem ganhando destaque no cenário nacional e internacional. Um projeto desenvolvido por ela foi selecionado para participar do programa de aceleração “PMEs Go Green”, ligado à Câmara de Comércio da Alemanha no Brasil, com financiamento da União Europeia.

A iniciativa reúne empresas e startups de todo o país com propostas voltadas à sustentabilidade e inovação. Embora não tenha ficado entre os três finalistas, o trabalho chamou a atenção dos avaliadores e foi selecionado entre os 30 empresas do Brasil a serem aceleradas. O encerramento do programa ocorre nesta quarta-feira (8), em São Paulo. A iniciativa é realizada pela AHK São Paulo, em parceria com a Fundação Eco+, e reúne práticas sustentáveis voltadas a pequenas e médias empresas.

A proposta desenvolvida por Amanda é baseada em um modelo próprio de gestão de dados, chamado “orbital de dados”. De forma simplificada, o método organiza informações em um sistema visual que permite acompanhar indicadores, fluxos de recursos e demandas sociais, auxiliando na tomada de decisões em áreas como mobilidade urbana, saúde e planejamento público.

Orbital de dados faz parte do projeto desenvolvido por Amanda Drummond Foto: Arquivo Pessoal

Um projeto baseado em dados e desenvolvimento humano

O projeto nasce de uma inquietação prática. Segundo Amanda, a maior dificuldade na execução de iniciativas sustentáveis não está apenas na prestação de contas, mas na forma como as informações são organizadas e utilizadas. “Eu percebi que o problema estava na gestão da informação. Então desenvolvi um cálculo que permite organizar esses dados de forma estruturada e visual, com foco no desenvolvimento econômico e humano”, explica.

Na prática, o sistema gera dashboards que possibilitam o monitoramento de políticas públicas e projetos, com aplicação já testada em iniciativas voltadas à mobilidade inteligente e inclusiva.

Possibilidades para Itabira: saúde, mobilidade e planejamento

Apesar de ter sido desenvolvido em um contexto mais amplo, o projeto pode ser adaptado para a realidade de Itabira. Em entrevista ao portal DeFato Online, Amanda afirma que já trabalha em propostas específicas para o município, especialmente nas áreas de saúde e turismo.

Uma das ideias é utilizar o modelo para integrar informações do sistema de saúde, permitindo o acompanhamento de pacientes, a otimização de atendimentos e um planejamento mais eficiente dos recursos. “Com esse sistema, é possível conectar dados de pacientes, transporte, profissionais e atendimentos. Isso permite criar uma rede organizada, com base em informação real”, explica.

A proposta também dialoga com temas como mobilidade sustentável, transição energética e melhoria da infraestrutura urbana, alinhando-se às tendências globais e às demandas locais.

Mulheres, liderança e ocupação de espaços

A trajetória de Amanda também chama atenção pelo protagonismo feminino em um ambiente ainda majoritariamente masculino. Natural de Diamantina, mas com raízes familiares em Itabira e Santa Maria de Itabira, ela construiu sua trajetória unindo cultura, tecnologia e sustentabilidade. 

Empresária e fundadora de uma empresa de cultura sustentável desde 2019, Amanda relata os desafios de se posicionar em espaços de decisão. “Na maioria das mesas em que eu sento, ainda são homens. Muitas vezes perguntam se tenho um sócio ou um marido para decidir por mim”, conta.

Mesmo diante das dificuldades, ela destaca a importância de ocupar esses espaços e incentivar outras mulheres. “Quando uma mulher de Itabira vê que outra conseguiu chegar, isso abre caminho. Mostra que é possível”, afirma.

Amanda apresentando o painel “Neoindustrialização: perspectivas para a mobilidade sustentável”, no Ampère Ecossistema da Mobilidade Sustentável Foto: Arquivo Pessoal

Inspiração e crítica a uma narrativa ultrapassada

Para Amanda, o reconhecimento internacional também ajuda a desconstruir uma ideia ainda presente na cidade: a de que faltam projetos ou iniciativas locais. “Dizer que Itabira não tem projeto é uma fala antiga. Existem pessoas qualificadas, com ideias estruturadas, mas muitas vezes sem espaço para apresentar ou aplicar essas propostas”, pontua.

Ela defende que o município valorize mais seus talentos e crie pontes entre profissionais locais e oportunidades de desenvolvimento.

Arte e tecnologia

Além da atuação técnica, Amanda também transita pelo campo artístico. Escritora e produtora cultural, ela vê na arte uma ferramenta de transformação social — elemento que também influencia seus projetos. “Tudo que eu desenvolvo tem como objetivo melhorar a vida das pessoas. Seja na cultura, na mobilidade ou na saúde, o foco é sempre o desenvolvimento humano”, resume.

Se por um lado o trabalho é estruturado em tecnologia e análise de dados, por outro também nasce da escuta e da vivência com as pessoas. “Projeto não é só técnica. É escuta. É entender o território, as pessoas e o que está faltando”, diz.

Essa combinação entre método e sensibilidade orienta sua atuação — seja na cultura, na mobilidade ou na construção de propostas voltadas ao desenvolvimento humano.

Foto: Arquivo Pessoal