PF suspeita de outro “Madoff” em Minas
A Polícia Federal em Minas investiga mais um caso envolvendo clubes de investimento no estado, no mesmo estilo do empresário Thales Maioline, que ficou conhecido como Madoff mineiro em alusão ao megainvestidor Bernard Madoff, condenado por esquema de pirâmide financeira nos Estados Unidos. A PF já instaurou inquérito para apurar suposto crime contra o sistema […]
O processo foi aberto em junho na sede da PF, na capital mineira, diante de denúncia anônima que chegou à divisão responsável pela apuração de crimes financeiros. Já foram ouvidos os depoimentos de 25 vítimas do suposto golpe aplicado em Divinópolis e nas cidades da região. Segundo o relato das testemunhas, a imobiliária Adimóveis era usada para oferecer aplicações com rentabilidade de 2% ao mês no clube de investimentos D.F.C. Intermediações Ltda., depois DFC Fomento Mercantil Ltda., que operava no mercado financeiro sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo consta no processo, quem tinha aluguéis em nome da imobiliária chegou a ser estimulado a vender o imóvel e aplicar os valores no clube de investimentos, que rendia quatro vezes mais em relação ao retorno de 0,5% ao mês proporcionado pelos aluguéis. Ao contrário de Thales Maioline, foragido desde 23 de julho, o proprietário da Adimóveis, que também assina como sócio da D.F.C. Intermediações, continua à frente da imobiliária. O empresário Deusdete Fernandes Campos, de 76 anos, responde também por três processos de falência e 191 ações de execução fiscal das vítimas que tentam ser ressarcidas dos prejuízos na Justiça.
“A Adimóveis vendia confiança a todos seus clientes e chegou a causar ciúmes em gerentes de bancos, pois captava mais que qualquer gerente de instituição financeira local. Chegou a emitir espécie de talão de cheques com o nome da empresa”, compara V., ex-investidor e ex-funcionário da empresa, que, segundo Deusdete, tem 5,5 mil imóveis ativos e uma carteira de 220 mil clientes. Só a família de V. alega ter perdido R$ 1,4 milhão em aplicações. “Meu pai vendeu a casa para investir na empresa. Não tenho coragem de dizer a ele que nunca mais vai ver a cor desse dinheiro”, afirma V.
“A defesa da Adimóveis é processar as vítimas na Justiça. Ela contratou uma banca de advogados de BH para convocar um a um os credores, ameaçando processá-los por investir dinheiro frio (sem declaração no Imposto de Renda) e obrigando-os a trocar as notas promissórias da dívida por contratos simples”, afirma o advogado Bruno Cançado. Ele é o autor do processo que conseguiu decretar a falência da Adimóveis na 1ª Vara Cível de Divinópolis, requerida em nome de um cliente, que pede para ficar no anonimato. A Adimóveis conseguiu suspender a decisão no Tribunal de Justiça de Minas Gerais até o julgamento final do mérito. “Pela nova Lei de Falências, a Adimóveis deveria ter 10 dias para depositar o valor devido, em razão da gravidade da matéria. Mas o prazo para julgar o recurso já estourou”, diz o advogado.
Entenda o caso
Em julho, empresário sumiu com R$ 86,1 mi
Quase 1,5 mil investidores de 14 cidades de Minas aguardam há mais de dois meses notícias sobre o paradeiro do empresário Thales Emanuelle Maioline, que desapareceu com R$ 86,1 milhões do clube de investimentos Firv Consultoria e Administração de Recursos Financeiros Ltda. Apelidado de Madoff mineiro em referência ao ex-investidor de Wall Street condenado por esquema bilionário de pirâmide financeira, Maioline foi dado como desaparecido por familiares em 23 de julho, uma tarde de sexta-feira.
Segundo o boletim de ocorrência lavrado na Polícia Civil de São Paulo, as últimas imagens do investidor mineiro foram registradas pela câmera da portaria de um hotel em São Paulo. Segundo o esquema da Firv, Thales atraía investidores oferecendo níveis de rentabilidade que chegavam a 5% ao mês, além de 11% a cada seis meses.
Ele, então, utilizava o dinheiro desses novos investidores para pagar clientes antigos que queriam resgatar os recursos aplicados. Os investidores alegam prejuízos que variam de R$ 2,5 mil a R$ 500 mil com o clube de investimento. Maioline teve a prisão decretada pela Justiça. Até a semana passada, a Polícia Civil não tinha concluído o inquérito.