Polícia apura se diarista dopou e roubou outros quatro clientes antes de matar casal em BH
Os policiais recuperaram R$18,8 mil em dinheiro, 14 relógios, dois celulares, oito frascos de perfume, acessórios, entre outros

A Polícia Civil informou nessa segunda-feira (13) que Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, também é suspeita de dopar e roubar outros quatro clientes antes do latrocínio de Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, em Belo Horizonte. A atualização foi divulgada durante a conclusão do inquérito sobre a morte do casal, encontrado sem vida no apartamento onde morava, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul da capital.
Segundo a investigação, a repercussão do caso fez outras possíveis vítimas procurarem o Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri). Os relatos indicaram situações semelhantes às apuradas no crime contra o casal de idosos. Paola teria histórico de usar medicamentos com efeito sedativo para reduzir a capacidade de reação das vítimas e, em seguida, subtrair objetos de valor. O mesmo método teria sido usado contra Cláudio e Maria Clotilde, embora o latrocínio do casal também tenha envolvido violência física.
A corporação informou que foram contabilizados outros quatro crimes com modo de agir semelhante. Parte dos bens levados de um casal que procurou a polícia foi localizada na casa da investigada e devolvida aos proprietários.
Durante as apurações, os policiais recuperaram R$18,8 mil em dinheiro, 14 relógios, dois celulares, oito frascos de perfume, acessórios como brincos, anéis, pulseiras, pingentes e cordões, 11,2 gramas de ouro fundido, dois pares de tênis, dois casacos e outras peças de roupa.
Paola foi indiciada por latrocínio, que é roubo seguido de morte, no caso do casal de idosos. Outras quatro pessoas também foram indiciadas por receptação, por terem adquirido objetos levados do apartamento das vítimas.
Segundo a Polícia Civil, esses suspeitos procuraram a corporação de forma espontânea, acompanhados de advogados, afirmaram que não sabiam da origem ilícita dos bens e entregaram os objetos às autoridades. A investigação aponta que eles poderão ter a pena reduzida por arrependimento posterior, conforme previsão do Código Penal.
No caso de Cláudio e Maria Clotilde, a ausência de sinais de arrombamento e o controle de acesso ao prédio ajudaram a direcionar a investigação para pessoas que entraram no imóvel com autorização. Paola havia sido indicada por um primo de Maria Clotilde e estava no primeiro dia de trabalho como diarista no apartamento.
De acordo com a Polícia Civil, as apurações indicam que a investigada já teria decidido cometer o crime antes de chegar à residência das vítimas. Depois do latrocínio, ela foi ao Centro de Belo Horizonte, onde teria vendido parte dos objetos roubados. Em seguida, passou pela casa onde morava, buscou o filho e saiu dizendo que viajaria.
Paola foi presa no dia 2 de julho, em um hotel de Itabira, na Região Central de Minas, acompanhada do filho menor de idade. Segundo a investigação, ela havia se escondido antes em um hotel de Belo Horizonte e havia indícios de que pretendia fugir para o Rio Grande do Sul.
Até a conclusão do inquérito, a Polícia Civil informou que não identificou elementos concretos de participação de outras pessoas no latrocínio do casal e o caso segue para as próximas etapas na Justiça, enquanto a investigada permanece presa.