Há um ano, quando andava pelas ruas de João Monlevade, Vinicius Araújo passava despercebido. Não tinha fotos. Autógrafos, então, nem pensar. Ele ainda era jogador da base do Cruzeiro e não carregava a fama dos atletas profissionais do futebol. Em 2013, porém, muita coisa mudou na vida do jovem centroavante. Promovido ao time principal da equipe de Belo Horizonte e campeão brasileiro, Vinicius hoje é uma personalidade na terra natal. “O que eu fazia com meia hora, hoje tenho que reservar uma, duas horas”, comenta, sorridente, sobre o assédio dos fãs.
O atacante começou a jogar bola aos cinco anos, no Real Esporte Clube, em Monlevade. Chegou ao Cruzeiro aos 14, na primeira categoria da base do time estrelado. Agora, aos 20, Vinicius está, como dizem por aí, “estourado”. Foi a principal revelação do Cruzeiro no ano. Serviu à Seleção Brasileira Sub-20, foi artilheiro com a camisa amarelinha e sagrou-se campeão em torneios na França e na Suíça. No Campeonato Brasileiro, atuou por diversas vezes como titular e anotou oito gols na competição. Terminou o ano com a faixa de “Tri” no peito e contrato renovado. Virou xodó da torcida.
A mudança de vida é bem assimilada pelo jogador do Cruzeiro. Vinicius confia na criação que teve para não deixar a fama subir à cabeça. O filho de Rose e Hélio sabe que está só no começo. E foi em casa, no local em que mais gosta de estar, que o atacante recebeu a equipe de DeFato para conversar sobre seu primeiro ano como profissional e a nova realidade.
Como está a curtição de campeão? Foi uma mudança de vida muito rápida…
É verdade, foi uma mudança muito rápida. Com um ano, minha vida mudou bastante. Nesta mesma data, no ano passado, eu estava disputando o Campeonato Brasileiro Sub-20. A gente foi campeão e eu fui artilheiro da competição. E agora, neste ano, estou comemorando o título do Campeonato Brasileiro, no primeiro ano como profissional. Tenho que agradecer primeiramente a Deus, à minha família, meus companheiros de equipe e à comissão técnica pela confiança que me deram para desempenhar o meu trabalho. Sei que vou amadurecer bastante ainda, este ano foi de aprendizado. Comecei no profissional com o pé direito. Espero que no ano que vem eu possa ser ainda melhor.
Como é a sua trajetória no futebol?
Comecei aqui no Real, no futsal. Tive uma passagem rápida pelo Comercial, de Nova Era, onde joguei no campo. Aí recebi o convite de ir para um colégio em Belo Horizonte para jogar futebol de salão. Esse colégio entrou em um campeonato de campo e a gente foi jogar a semifinal contra o Cruzeiro, na Toca da Raposa. E nessa semifinal a gente ganhou de 2 a 0 e eu fiz os dois gols. Foi aí que eu recebi o convite para ir para o Cruzeiro. Na época era a categoria pré-infantil, em 2007.
E a chegada ao profissional?
A gente sabe que se tornar jogador profissional é muito difícil, pelas exigências que têm, pela quantidade de jogadores que tentam e não conseguem. Muitos param pelo caminho. Mas desde o começo eu sempre acreditei em mim. Sabia que se eu continuasse treinando, me dedicando bastante, eu teria oportunidade no Cruzeiro. Ano passado foi o meu melhor ano nas categorias de base, onde fui campeão de diversas competições, sendo artilheiro em praticamente todas elas. Fiquei na expectativa se neste ano eu iria me apresentar no profissional ou para disputar a Copa do São Paulo. Eu queria o profissional, que foi o que aconteceu.
Para o ano que vem, a expectativa é de que o Cruzeiro se reforce ainda mais, inclusive na sua posição. Como fazer para continuar criando espaço mesmo com tanta concorrência?
Quando o time é campeão, no outro ano a torcida espera mais para ter outras conquistas. Teremos a Libertadores, que o Cruzeiro vai entrar forte para conquistar. Sei que vão aparecer vários jogadores, que serão recebidos de braços abertos. Tenho que continuar a fazer o meu trabalho e os grandes jogadores que vierem tenho que encostar neles para absorver cada vez mais. Mas eu vou disputar posição com qualquer um. Já mostrei meu valor e que posso ajudar o Cruzeiro.
O que fazer para o sucesso não virar a cabeça?
Sou bem tranquilo. A minha família sempre me acompanhou, desde novo. Quando a pessoa tem uma base familiar boa, isso não é um problema. Sou bem simples. Tudo que eu fazia antes, faço hoje da mesma forma. Tenho prazer em dar um autógrafo na rua, tirar uma foto. É o reconhecimento pelo meu trabalho. Continuo com os pés no chão, pois sei que ainda não ganhei nada. Ando de chinelo na rua, de bermuda, camiseta. Não é porque sou jogador que sou diferente. Sou uma pessoa comum, apenas meu trabalho é que aparece um pouquinho na televisão. Todo mundo que chega perto de mim sabe que sou humilde e tranquilo. Minha cabeça vai continuar a mesma e minha família está aqui sempre para me orientar.
Mas imagino você andando há um ano em Monlevade e a diferença para o que é hoje…
É verdade. Comento isso com a minha mãe. Antes muita gente me conhecia por ser jogador da base do Cruzeiro, mas não tinha nada de autógrafo ou foto. Agora se eu vou ao supermercado, por exemplo, já fica difícil. O que eu fazia com meia hora, tenho que reservar uma, duas horas. Se eu não estiver em um dia muito bom, é melhor ficar em casa, porque quando saio tenho que dar atenção, o torcedor está ali para ser atendido. Fico feliz por isso. Tenho o maior prazer em dar atenção ao torcedor.