Durante a primeira reunião para discutir o Plano Regional Estratégico em torno dos grandes projetos minerários do Médio Espinhaço, na última sexta-feira, 23 de fevereiro, o prefeito de Conceição do Mato Dentro, Reinaldo César de Lima Guimarães, o Reinaldinho (PMDB), criticou a demora do Estado em ajudar a região. Diante da subsecretária estadual de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru), Beatriz Morais, o chefe do Executivo não foi ameno em suas palavras. “Isso [o Plano] é o mínino que o Estado pode fazer”, declarou.
De acordo com Reinaldinho, os órgãos estaduais liberam todas as licenças para os projetos e até então não se preocupavam com os impactos sociais e ambientais sofridos pelas cidades mineradoras. “O Estado nos deixou de lado e já estava atrasado em nos atender”, afirmou, se referindo à iniciativa tardia do governo de Minas em elaborar o Plano Regional.
As declarações do prefeito foram dadas na abertura do evento, antes do discurso da subsecretária Beatriz. Quando teve a oportunidade de falar, a representante de Anastasia contra-argumentou e disse que o governador teve a preocupação em planejar as cidades mineradoras desde o início, mas que era preciso esperar os investimentos se concretizarem. “Se houver por parte do Estado a negativa aos projetos minerários, as cidades e seus cidadãos ficarão limitados”, disse Beatriz.
Para a subsecretária, realmente o Plano já deveria estar pronto, mas ainda há tempo. Ao ponderar o posicionamento, afirmou que era arriscado criar muita expectativa nos cidadãos, ao falar em planejamento, se o investimento não fosse adiante.
Sugestivo
O Plano não será normativo, mas sugestivo. Segundo o responsável pelo trabalho, professor Alisson Barbieri (PhD em Planejamento Regional Urbano, pela University of North Carolina – EUA), o objetivo não é concorrer com outros instrumentos de planejamento que já existem, como planos diretores e setoriais de transporte, mas sim integrá-los, afim de que os esforços sejam otimizados. A princípio, Conceição do Mato Dentro, Serro, Alvorada de Minas, Dom Joaquim, Morro do Pilar e Santo Antônio do Rio Abaixo integrarão os estudos.
As próximas etapas do estudo são referentes a coleta de dados, elaboração de diretrizes e apresentação dos instrumentos necessários e disponíveis para a promoção do desenvolvimento da região. A ideia é que cada produto do Plano seja apresentado e discutido pelos envolvidos. De acordo com informações do governo de Minas, nos próximos anos a região de Conceição do Mato Dentro vai receber investimentos da ordem de R$ 4 bilhões de grandes empresas do setor da mineração.