Prefeitura de Barão de Cocais reassume controle da Rota do Ferro; saiba mais

Decisão judicial reconhece interesse público e permite que administração municipal reassuma território de 163 mil m² considerado estratégico para preservação histórica, ambiental, turística e esportiva

Prefeitura de Barão de Cocais reassume controle da Rota do Ferro; saiba mais
Foto: Divulgação/Prefeitura de Barão de Cocais

A Prefeitura de Barão de Cocais obteve uma importante vitória judicial no processo para retomada da Rota do Ferro, área considerada um dos principais patrimônios históricos, ambientais e turísticos do município. A decisão, anunciada nesta segunda-feira (11) pelo prefeito Geraldo Abade das Dores (PSD), concede ao município a imissão provisória na posse do terreno — ou seja, o direito de reassumir o controle da área mesmo antes da conclusão definitiva do processo de desapropriação.

A medida foi determinada pela Comarca de Barão de Cocais no âmbito do processo de desapropriação nº 1000083-86.2026.8.13.0054, e envolve uma área de aproximadamente 163 mil metros quadrados, correspondente ao território conhecido como Rota do Ferro.

Na prática, a decisão reconhece a relevância pública do espaço e autoriza a administração municipal a voltar a gerir o local, considerado estratégico para a preservação do patrimônio histórico, da biodiversidade, do turismo e das atividades esportivas do município.

Ao comentar a decisão, o prefeito Geraldo Abade classificou a conquista como histórica. “Barão de Cocais não está à venda. Nós vamos seguir em frente, buscando sempre preservar a cidade, preservar o nosso território. A história não pode se perder”, afirmou.

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Foto: Divulgação/Prefeitura de Barão de Cocais

Área reúne patrimônio ferroviário e riquezas naturais

A Rota do Ferro percorre todo o antigo e desativado ramal da Estrada de Ferro Sabará–Santa Bárbara, construído no final do século XIX.

Ao longo do trajeto, estão preservados diversos elementos históricos ligados ao período ferroviário, como túneis, pontes, cortes em rocha e outras estruturas originais, reconhecidas por seu valor cultural e histórico.

Além da importância patrimonial, a área também é estratégica do ponto de vista ambiental e turístico, por estar próxima de atrativos naturais bastante conhecidos no município, como a Cachoeira do Castro, Cachoeira Água Fria e Cachoeira da Cambota.

Nos últimos anos, o espaço consolidou-se também como ponto de prática de caminhadas ecológicas, cicloturismo, lazer e esportes de aventura, tornando-se um dos principais corredores de turismo de natureza da cidade.

Venda da área motivou reação da Prefeitura

O território havia sido vendido pela União a particulares em 2023, em um processo que, segundo a administração municipal, não contou com manifestação formal do município à época para incorporação da área ao patrimônio público.

A atual gestão informou que tomou conhecimento da negociação há cerca de um ano e, a partir disso, iniciou uma série de estudos técnicos e jurídicos para tentar recuperar o imóvel.

A ação de desapropriação foi proposta pela Procuradoria Municipal, que também solicitou, em caráter liminar, a posse provisória do imóvel antes do desfecho final do processo — pedido agora acolhido pela Justiça.

A decisão foi assinada em 30 de abril pelo juiz Lucas Carvalho Soares Freitas, que reconheceu os fundamentos apresentados pelo município e reforçou que a área possui função pública consolidada, diante de seu uso contínuo pela população.

Tentativa de acordo e decreto de utilidade pública

Antes de recorrer ao Judiciário, a Prefeitura informou ter tentado uma indenização extrajudicial aos proprietários atuais da área, mas as negociações não avançaram.

Como parte do processo administrativo, o município também publicou, em 7 de abril de 2026, o Decreto Municipal nº 104/2026, declarando oficialmente a utilidade pública da Rota do Ferro para fins de desapropriação.

Esse instrumento foi considerado peça central para fundamentar a ação judicial.

Mobilização política e comunitária

O anúncio da vitória judicial foi feito por Geraldo Abade durante reunião com lideranças comunitárias e representantes de entidades ligadas ao esporte, turismo e desenvolvimento local.

Participaram do encontro Jhonatan Christian Ramos e Glace Ibraim, presidente e vice-presidente da Associação Comunitária do Castro; Daniel Pessoa, da Associação dos Ciclistas de Barão de Cocais; além dos produtores de eventos esportivos Fernando Almeida e Pedro Marques.

Também estiveram presentes os vereadores Tiago Antônio dos Santos “Tico” (Mobiliza), presidente da Câmara Municipal, Paulo Henrique Ferreira “Paulinho da ONG” (Republicanos) e Adriano Santos (PSB), reforçando o apoio do Legislativo à iniciativa.

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Foto: Divulgação/Prefeitura de Barão de Cocais

“Aquilo ali é o pulmão de Barão”

Moradora da comunidade do Castro, no entorno da Rota do Ferro, Glace Ibraim comemorou a decisão judicial e destacou a importância ambiental da área.

“É um grande ganho. Não só para a comunidade do Castro, mas para toda Barão de Cocais. Nós precisamos da mineração, do trabalho, do progresso. Mas precisamos também da nossa sobrevivência. Aquilo ali (Rota do Ferro) é o pulmão de Barão”, declarou.

Ela também lembrou que uma das principais fontes de abastecimento hídrico do município está localizada na região, reforçando a necessidade de preservação do território.

Próximos passos

Com a concessão da posse provisória e o reconhecimento judicial da utilidade pública da área, a expectativa da administração municipal é avançar agora para a posse definitiva da Rota do Ferro, o que deverá ocorrer nos próximos desdobramentos do processo.

A decisão representa um marco para Barão de Cocais e fortalece a estratégia do município de proteger áreas consideradas essenciais para sua memória, identidade, desenvolvimento sustentável e futuro turístico.

Confira a galeria de fotos da Rota do Ferro:

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