Gabriele foi presa após ficar dez meses foragida do presídio de Itabira. Ela foi vista por um policial que estava de folga e que acionou uma viatura das Rondas Táticas Municipais (Rotam). Na entrevista, ela conta que não voltou após um indulto de sete dias concedido pela Justiça. Segundo relata, sofria violência de um agente penitenciário e, por isso, teria decidido fugir. Passou todo esse tempo em Contagem e em Rio Pomba. Voltou a Itabira para o aniversário da avó. E acabou presa.
Antes de levá-la de volta ao presídio, na sede da 83º Companhia, os policiais militares permitiram que Gabriele escrevesse uma carta para a avó. “Vó Tina, independente das atuais circunstâncias, saiba que a senhora é a razão da minha vida e o que me traz esperança de ser alguém bem melhor. Te amo! Feliz aniversário! Beijos”, traz a carta que foi entregue ao pai para ser repassada a avó.
Há quanto tempo é usuária de drogas?
Comecei a usar com 12 para 13 anos.
Você sempre teve o apoio da sua família?
Sempre tive. Só que no momento da separação de pai e mãe eu perdi um pouco a base, perdi a noção das coisas.
E o que significa esse apoio? Você ainda vê alguma perspectiva de sair do vício?
Eu estava com todas as expectativas de retornar e ficar sem drogas, porque eu já fiquei dois anos, e talvez eu conseguiria novamente parar e não voltar mais. Já parei duas vezes, mas tive algumas recaídas. Fraquejei muitas vezes e cada recaída é pior que o início do vício.
E as companhias, Gabriele? Elas não te influenciam a continuar no mundo das drogas?
No meu caso não. Foi devido a crises profundas de depressão que eu voltava a usar drogas, não foi por más companhias. Às vezes, em um surto de depressão, a maneira mais fácil de aliviar é no uso de entorpecentes, que aquilo anestesia o seu corpo e sua mente. Eu não tenho amigos. Sou bem rígida nisso. Eu não tenho amigos!
A Polícia teve informações de que você estaria cometendo assaltos em Itabira. Isso procede?
Não procede. Desde o dia 23 ou 27 de fevereiro deste ano que eu não venho nesta cidade.
Você veio para o aniversário da sua avó e acabou presa. Você até escreveu uma carta para ela e agora vai voltar para a cadeia. Qual é o sentimento?
O sentimento é de decepção. Eu tinha prometido ao meu pai que após o aniversário da minha avó eu iria me apresentar corretamente ao juiz e delatar o motivo de eu não ter retornado depois dos sete dias, porque um agente brincava com minha integridade física dentro da cadeia, fazendo coisas que não é da índole de um agente de segurança. Eu ia explicar e perguntar ao juiz se eu poderia retornar a minha atividade, porque eu trabalhava, e terminar de pagar o que eu devo à sociedade.
Qual o conselho que você dá aos jovens que estão tão próximos ao mundo das drogas?
Eu não dou conselho, porque conselho ninguém pega. Mas o palpite que eu dou é que se você fumou uma maconha hoje para experimentar, fica só nisso, não continua não, porque esse é o primeiro passo para a ruína da sua vida.
Hoje é o aniversário da sua avó. Qual o recado você mandaria para ela ou para seus familiares?
(Longa pausa) Peço desculpas por não ter conseguido de novo. E que Deus abençoe para que minha avó continue viva e que eu esteja no aniversário dela de cem anos. Eu a amo muito. Desculpas!