Presidente do Saee responde críticas e avalia reajuste nas contas como “bom”

Apesar de a Arsae ter reduzido bastante a planilha de investimentos apresentada pela autarquia, Leonardo Lopes diz que é melhor “trabalhar com o bom do que esperar pelo ótimo”

Presidente do Saee responde críticas e avalia reajuste nas contas como “bom”
Presidente do Saae de Itabira, Leonardo Lopes – Foto: Divulgação
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O diretor-presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itabira (Saae), Leonardo Lopes, falou à imprensa ao fim da audiência pública que debateu a revisão tarifária no município e respondeu às críticas apresentadas pela comunidade durante o encontro. Ele também comentou que considerou “bom” o reajuste proposto pela agência reguladora estadual (Arsae), apesar de o órgão ter reduzido consideravelmente a planilha de investimentos apresentada pela autarquia municipal, o que, consequentemente, também diminuiu o índice de revisão nas contas de água.

Na audiência, a Arsae explicou que a maioria da população de Itabira está concentrada na faixa de consumo que terá redução na conta de água com a revisão tarifária que passa a valer no fim de novembro. O índice médio de reajuste será de 1,5%, mas os aumentos mais expressivos serão sentidos nas residências que consomem mais, nos estabelecimentos comerciais, indústrias e órgãos públicos. No momento em que puderam se manifestar, várias pessoas da comunidade fizeram críticas à prestação de serviço do Saae, especialmente relacionadas ao atendimento e qualidade da água.

Sobre o atendimento, a própria Arsae respondeu. Representantes da agência afirmaram que já estavam cientes dessa reclamação e que o setor de Ouvidoria já trabalha junto ao Saae uma forma de melhorar o relacionamento da autarquia com a comunidade para que os problemas verificados sejam resolvidos com mais rapidez.

Audiência pública foi promovida pela Arsae em Itabira – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Coleta e tratamento de esgoto

Durante a audiência pública, uma moradora do Gabiroba reclamou que é cobrada na conta uma tarifa de tratamento de esgoto, mesmo a casa dela estando em uma área que atualmente não está ligada na rede que vai para a ETE Laboreaux. No entanto, segundo o diretor Leonardo Lopes, o Saae não cobra pelo tratamento, mas apenas pelo recolhimento do esgoto.

“É importante informar que neste ciclo tarifário que vence agora em novembro nós passamos a cobertura de coleta de esgoto em Itabira de 91% para 95,8%, sendo que a média de Minas Gerais é de 86% e a do Brasil é de 61%”, comentou o diretor, que ainda orientou que moradores com dúvidas e reclamações a procurarem diretamente o Saae para abertura da ocorrência.

“É importante que a pessoa faça o registro para que nós possamos identificar se isso é verídico e, caso realmente esteja ocorrendo algo de forma indevida, que ocorra a correção o mais breve possível”, disse Leonardo Lopes.

Audiência reuniu poucas pessoas em Itabira – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Qualidade da água

Outros moradores criticaram a qualidade da água que chega às torneiras em determinados bairros da cidade. Locais como Praia e Gabiroba foram citados. Um dos reclamantes inclusive levou um vídeo do líquido chegando à sua casa para que os diretores da Arsae pudessem assistir.

Leonardo Lopes respondeu que o Saae segue todos os parâmetros estabelecidos para garantir a qualidade da água distribuída. Outra vez, orientou que as demandas sejam encaminhadas à autarquia.

“Nós trabalhamos rigorosamente com o controle da água, temos um laboratório credenciado pelo Imetro, com todas as suas certificações, e seguimos à risca todas as legislações brasileiras. Então, caso ocorram eventos pontuais, cabe, sim, fazer o registro da reclamação e nós temos que ir lá verificar se ocorreu ou se não ocorreu e apresentar a solução mais breve possível”, disse.

Reajuste “bom”

O ponto de partida da revisão tarifária é uma planilha de investimentos apresentada pelo Saae. A autarquia aponta a previsão de obras e serviços para os próximos anos e aguarda um retorno da agência reguladora. A avaliação leva em conta o quanto do que foi estimado na última revisão foi realmente executado, as dificuldades ou gargalos na execução e se o prestador realmente tem a capacidade de investimento indicada.

Houve uma redução drástica entre o que foi apontado pela Saae e pelo que foi aceito pela agência. A autarquia indicou investimentos na ordem dos R$ 58,12 milhões, mas a Arsae só acatou R$ 10,45 milhões. O órgão regulador entendeu, por exemplo, que a parceria público-privada do rio Tanque, apontada pelo serviço itabirano, não poderia ser incluída na planilha, já que os recursos não seriam provenientes do Saae. Só aí, a redução já foi superior a R$ 30 milhões.

A redução na planilha jogou para baixo também o índice de reajuste. Mesmo assim, o diretor do Saae afirmou que a revisão é satisfatória, embora deixe transparecer que não é “ótima”.

“O plano de investimentos que foi apresentado está no Plano Municipal de Saneamento Básico, que é um documento elaborado pela própria população, no qual se exige um universo de investimentos muito grande. Mas nós sabemos que o ótimo é o inimigo do bom. Muitas vezes eu prefiro trabalhar com o bom e levar uma melhor condição hoje para o itabirano do que esperar pelo ótimo e não fazer nada”, encerrou.

Veja o plano de investimentos acatado pela Arsae: 

Foto: Arsae-MG