“Prioridade absoluta”: enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes mobiliza rede de proteção em Itabira
Atualmente, vítimas de violência sexual em Itabira contam com atendimento de urgência 24 horas no Hospital Municipal Carlos Chagas


Nesta segunda-feira (18), data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a campanha Maio Laranja reforça a necessidade de conscientização, prevenção e denúncia de casos de violência sexual contra menores. Em Itabira, o tema mobiliza diferentes órgãos da rede de proteção, que atuam de forma integrada no acolhimento das vítimas e na investigação dos crimes.
Em entrevista, o delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) João Martins Teixeira destacou que o foco principal no enfrentamento à violência deve estar voltada para crianças e adolescentes, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Segundo ele, os princípios da “prioridade absoluta” e da “proteção integral” precisam nortear todas as ações da sociedade e do poder público. O delegado ressaltou que crianças e adolescentes devem receber proteção prioritária em relação a qualquer outro grupo social e que esse cuidado precisa envolver todas as áreas da vida social.
João Martins também chamou atenção para o aumento de casos registrados nos últimos anos em Itabira. De acordo com ele, parte desse crescimento está diretamente ligada à implantação do serviço especializado no Hospital Municipal Carlos Chagas (HMCC), que aproximou as vítimas da rede de apoio e facilitou as denúncias. “Esses casos estão chegando aos montes e exigem um olhar atento, justamente pela vulnerabilidade dessas vítimas”, afirmou.
Atendimento integrado no Hospital Carlos Chagas
Atualmente, vítimas de violência sexual em Itabira contam com atendimento de urgência 24 horas no Hospital Municipal Carlos Chagas (HMCC), localizado no bairro Campestre.
Com a implantação do serviço especializado EVS (Escuta Especializada de Violência Sexual), adolescentes e crianças vítimas de crimes sexuais passaram a receber atendimento multidisciplinar em um único local. A estrutura reúne psicólogos, assistentes sociais, médicos e enfermeiros para acolhimento imediato.
O delegado relatou que, antes da implantação do serviço, as vítimas precisavam passar por diferentes etapas separadamente, como delegacia, exame médico-legal e atendimento hospitalar. Agora, todo o processo ocorre no mesmo momento, reduzindo a exposição e o desgaste emocional.
Após o acolhimento, a unidade hospitalar encaminha os relatos diretamente à Polícia Civil, que inicia as investigações com base nas informações coletadas.
Rede de proteção envolve diferentes órgãos
Além da atuação da Polícia Civil, o enfrentamento à violência sexual em Itabira envolve uma rede composta por escolas, Conselho Tutelar, assistência social e unidades de saúde.
João Martins destacou que a violência não pode ser tratada apenas como uma questão policial, já que envolve impactos psicológicos, sociais e familiares. Por isso, o trabalho integrado entre os órgãos é considerado fundamental para garantir proteção e acompanhamento às vítimas.
Neste contexto, o delegado também alertou para a importância de não banalizar situações de violência doméstica, especialmente em ambientes familiares onde crianças e adolescentes estão inseridos. Segundo ele, nesses casos, os menores não devem ser vistos apenas como testemunhas, mas também como vítimas da violência vivenciada dentro de casa.
Atualmente, o suporte e as orientações também podem ser buscados na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, localizada na avenida Prefeito Li Guerra, 1751, no bairro Praia, em Itabira.
Maio Laranja e o Caso Araceli
O dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes em memória do Caso Araceli, que chocou o país na década de 1970. A campanha Maio Laranja busca conscientizar a população sobre a importância da prevenção, do acolhimento e da denúncia de qualquer sinal de violência.
Casos suspeitos podem ser denunciados de forma anônima por meio do Disque 100, além dos canais oficiais da Polícia Civil e demais órgãos da rede de proteção.