Professora relata agressão de aluno: “Golpes com uma lixeira”

A professora Rosineide acredita que o histórico familiar ou a deficiência intelectual do aluno não gera o direito de ser agredida

Professora relata agressão de aluno: “Golpes com uma lixeira”

Nessa quarta-feira, 16 de março, uma professora da Escola Municipal Irmã Amandina Maria, em Santa Bárbara, passou por momentos de sufoco.  Enquanto aplicava atividades para alunos do sétimo ano, a professora Rosineide Aparecida Candiotto, 50 anos, foi agredida por um aluno da escola de apenas 10 anos, que ficou irritado por ser convidado a se retirar da sala de aula de uma turma do 7° ano.

A professora conta que fechou a porta da sala de aula duas vezes, sendo que na última, a criança voltou e chutou a porta. “Com a situação, eu falei para eu mesma: ‘Nossa, Deus! Até parece que é doido´. Ele escutou e ficou irritado”, relata. Rosineide, então, se retirou da sala e foi chamar a orientadora da escola. Pelo caminho, foi surpreendida por golpes no quadril com uma lixeira. Após isso, ainda no corredor, o garoto deu chutes no joelho da professora.

Rosineide nunca foi professora do menino e nem se lembrava de já tê-lo visto na escola. “No momento ele ficou bastante irritado e gritava palavras de baixo calão. Chegou a me ameaçar de morte, dizendo que ia encher meu rosto de balas”, diz a educadora.

Segundo a professora, a escola não a amparou e ainda a ameaçou. “Após o incidente, eu falei que não tinha mais condições psicológicas para dar aulas. A diretora me ameaçou dizendo que se eu não voltasse para a sala de aula, ela iria fazer um relatório sobre abandono de cargo”, conta Rosineide, que ligou para a Polícia Militar. “A diretora mandou o menino ir embora antes da polícia chegar”, reclama.

Quando a polícia chegou, os militares encaminharam Rosineide para o Hospital Municipal e o garoto já tinha ido embora. “Eu estava em estado de choque e tremendo muito”, relembra a professora. Um sargento foi até a casa do menino e não o encontrou, pois segundo Rosineide, a avó o escondeu. “A mãe do menino está presa por tráfico de drogas e o pai dele foi assassinado, ele mora com a avó”, relata.

Chorando, a professora que tem mais de 20 anos de profissão, sendo três deles na escola, diz que está muito nervosa e nunca tinha passado por isso antes. “Eu estou me sentindo um lixo”, desabafa. Rosineide pretende entrar com uma ação no Ministério Público e pedirá a transferência dela ou do garoto da instituição. “Vivo sobre pressão, com medo de ser mandada embora. Sou contratada da Prefeitura. Se a criança tem problemas ou não, nada justifica eu ser agredida. Estou recebendo diversas mensagens positivas pelo Facebook dos meus alunos. Amo minha profissão”, diz.

DeFato Online entrou em contato com a Escola Municipal Irmã Amandina Maria e conversou com a diretora, que se identificou apenas como Flávia. Ela disse estar muito abalada e preferiu não se pronunciar sobre o ocorrido.