Projeto “Itabira Antirracista” promove ação especial no Dia da Consciência Negra

Grupo espalhou vários cartazes pela cidade

Projeto “Itabira Antirracista” promove ação especial no Dia da Consciência Negra
Foto: Itabira antiracista/Divulgação
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As ruas itabiranas amanheceram diferentes nesta sexta-feira (20). Por vários pontos da cidade, é possível ver fotos de algumas das mais importantes personalidades negras da história. Se você se deparou com estas imagens e ficou curioso com a história, saiba que esta é uma ação do projeto “Itabira Antirracista”, em homenagem ao Dia da Consciência Negra.

Distribuídos na noite de ontem (19), os folhetos tem como missão lembrar a importância desses personagens no seu tempo e na história. Antonieta de Barros, Carlos Marighella e Laudelina de Campos Melo são algumas das figuras homenageadas na ação. Abaixo das fotos, há uma breve explicação sobre a história de cada um. Ao todo, 19 banners foram espalhados em pontos como a avenida João Pinheiro, a Praça Redonda e o Centro Cultural.

Membro do projeto, Thainara Santos, de 18 anos, diz que o movimento feito nesta manhã tem como uma das propostas desconstruir a imagem que cerca algumas dessas personalidades, como Carlos Marighella.

“O nosso maior papel é fazer com que as pessoas possam entender a história sem esperar heróis ou salvadores da pátria, porque não existem vilões ou heróis, mas sim pessoas. Marighella não foi perfeito, mas lutou contra a opressão militar e morreu por isso. A história sempre foi deturpada e infelizmente isso continua acontecendo”, explica.

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Dia da Consciência Negra
Jornalista, professora e política, Antonieta de Barros foi uma das homenageadas. Foto: Itabira antiracista/Divulgação

A estudante de Geografia na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), campus Diamantina, também fez uma análise sobre o racismo em Itabira. Ela cita o caso da vereadora Rose Félix, a primeira mulher negra eleita na cidade. “Analisar o racismo aqui em Itabira é muito difícil, as pessoas reproduzem só aquilo que normalizaram a vida toda e, quando criticadas, revelam a normalização da discriminação étnico-racial. Primeira mulher preta eleita? Os comentários já falam por si só, uma cidade que não reconhece seu racismo não consegue combatê-lo”, comenta Thainara.

Caso Carrefour

Esta sexta-feira (20) reservou uma triste coincidência. Justo no Dia da Consciência Negra, um homem negro foi morto brutalmente por seguranças do supermercado Carrefour, em Porto Alegre. Para Thainara, o assassinato é um exemplo da estrutura racista que domina o país.

“Não adianta falarmos de uma mudança social se, ainda assim, somos mortos todos dias por uma estrutura racista que oprime e delibera situações como essa. Não é a primeira, nem a última. Se o governo não punir as instituições e não começar a tratar as questões raciais como um todo, nada mudará. Não é só violência se apenas uma cor é alvo.”

Dia da Consciência Negra
Foto: Itabira antiracista/Divulgação

Sobre o projeto

A página Itabira Antirracista, presente no Instagram, surgiu paralela ao movimento “Black Lives Matter”, nos Estados Unidos. Na oportunidade, vários americanos revoltados foram às ruas protestar pela morte de George Floyd, um homem negro que foi assassinado por um policial branco por asfixia. Com sete administradores, o projeto tem como foco combater todo e qualquer tipo de racismo em Itabira e região, bem como trazer uma mudança de pensamento e ideologias.

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