Promotores desautorizam ação da Vale em Barão de Cocais
Os promotores André Sperling e Cláudio Daniel Fonseca de Almeida recomendaram à população de Barão de Cocais que não participe do mapeamento socioeconômico anunciado pela Vale a partir deste sábado, 30 de março. Em um comunicado, a mineradora informou que, em parceria com a Defesa Civil, iniciaria as visitas às comunidades localizadas na zona secundária […]
Os promotores André Sperling e Cláudio Daniel Fonseca de Almeida recomendaram à população de Barão de Cocais que não participe do mapeamento socioeconômico anunciado pela Vale a partir deste sábado, 30 de março. Em um comunicado, a mineradora informou que, em parceria com a Defesa Civil, iniciaria as visitas às comunidades localizadas na zona secundária de salvamento da barragem Sul Superior. O mapeamento, segundo informou, é uma ação preventiva.
Residências e estabelecimentos comerciais devem receber ao longo da semana profissionais das empresas Tetra Tec e H&R, devidamente uniformizados e portando crachá de identificação. “O objetivo é levantar informações sobre a realidade dessas áreas, como número de moradores, idade, necessidades especiais, além do registro de animais domésticos e atividades produtivas realizadas na região”, informou a Vale.
Através do WhatsApp, os representantes do Ministério Público distribuíram áudios orientando os moradores do município a não receberem a visita de equipes enviadas pela mineradora para realizar o levantamento das informações.
“Eu gostaria de dizer, inicialmente, que a Defesa Civil não está sabendo disso. Isso está sendo uma atitude unilateral da Vale. Ou seja, só a Vale está indo. Não é verdade que a Defesa Civil esteja junto com a Vale. E, neste momento, o Ministério Público não recomenda que vocês recebam ninguém da Vale na casa de vocês. A Vale já causou esse transtorno terrível na vida de todo mundo, esse medo terrível na vida de todos, e agora quer invadir a casa de vocês para dizer se serão atingidos ou não, ou quanto vocês têm direito de indenização. Não cabe à Vale fazer isso. A Vale não tem o direito de violar mais uma vez a vida de vocês, o sossego de vocês”, disse André Sperling.
O promotor é integrante da força tarefa do Ministério Público de Minas Gerais que investiga o rompimento da barragem de Brumadinho e lembrou que, provavelmente, haverá um cadastramento no futuro. Contudo, ponderou que será algo construído com a população que precisa entender o objetivo deste levantamento. “Desta forma, como a Vale pretende fazer, é mais uma violação de direitos que essa empresa está querendo cometer contra vocês, cidadãos de Barão de Cocais. Não permitam que isso aconteça, não aceitem essa violação”, disparou André Sperling.
Promotor na Comarca de Barão de Cocais há cerca de seis anos, Cláudio Almeida citou que o mapeamento socioeconômico tem como objetivo o recolhimento de informações para posterior indenização da população atingida em caso do rompimento da barragem Sul Superior. No entanto, endossou o posicionamento do colega de profissão no sentido de que “o Ministério Público não recomenda que a população de Barão de Cocais, neste momento, receba profissionais da Vale em sua residência porque trata-se de mais uma forma de violação do direito da população atingida”.
“Como sempre, as portas da Promotoria de Justiça de Barão de Cocais estão abertas para a população local para informações e orientações pertinentes”, afirmou Cláudio Almeida. A Defesa Civil de Barão de Cocais divulgou uma nota de esclarecimento afirmando que desconhece qualquer ação de mapeamento socioeconômico a ser realizada neste sábado pela Vale. Além disso, informou que a ação não será realizada em parceria com o órgão.
“Em informe divulgado na noite desta sexta-feira, 29 de março, a mineradora afirma que a ação será promovida em parceria com a Defesa Civil Municipal. No entanto, a Defesa não foi informada sobre a atividade e tampouco a apoia neste momento. Portanto, sob orientação do Ministério Público do Estado e do município, aconselhamos aos cidadãos cocaienses que não participem do mapeamento”, diz a nota.
A Vale foi procurada para se posicionar diante do assunto. Porém, até a publicação desta matéria a DeFato Online não teve retorno.