Relatório de técnicos da PMI recomenda que água da ETA Rio de Peixe não seja usada para consumo humano
O secretário de Meio Ambiente e presidente do Codema, Nivaldo Ferreira dos Santos, fez a leitura do documento durante a reunião desta quinta-feira
Um relatório técnico assinado por uma auditora fiscal do meio ambiente, um engenheiro agrônomo e uma farmacêutica da Prefeitura de Itabira recomenda que o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade não utilize água captada da barragem de Rio de Peixe para o consumo da população. A água barrenta da barragem que concentra rejeitos de mineração da Vale é captada e tratada pelo Saae na Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio de Peixe. Conforme o relatório, mesmo tratada essa água tem índices insatisfatórios de manganês, metal pesado que traz sérias complicações à saúde.
O relatório foi apresentado nessa quinta-feira, 10 de novembro, na reunião do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Itabira (Codema). O encontro foi acompanhado por representantes de comunidades atendidas pela ETA. Em bairros como o Santa Ruth, João XXIII, Fênix, Bálsamos e circunvizinhos, há algum tempo a água que chega às torneiras tem mau cheiro e cor escura. O líquido tem provocado problemas de saúde em moradores, afirmam populares.
O relatório foi protocolado na Secretaria de Meio Ambiente no último dia 28 de outubro. O documento cita ao menos três vistorias feitas em pontos de captação de água para a ETA Rio de Peixe na barragem de rejeitos, nos dias 16 de setembro, 22 de setembro e 20 de outubro. Os pontos captação mudaram a cada vistoria. O último estava a dois quilômetros da crista da barragem. No entanto, nenhum deles está de acordo com a outorga concedida ao Saae pelos órgãos ambientais. O levantamento cita que a outorga obtida pela autarquia em 1996 está restrita ao leito do Rio de Peixe.
O Saae já foi notificado das irregularidades e inclusive multado anteriormente em R$ 25 mil por não enviar à Vigilância Epidemiológica do município os relatórios de controle da qualidade da água.
A reunião do Codema foi realizada no auditório da Secretaria de Meio Ambiente
Imprópria
O documento descreve que uma amostra da água tratada pela ETA Rio de Peixe foi coletada em 22 de setembro e submetido à análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed). “Conforme um dos laudos analíticos recebidos, o parâmetro de manganês apresentou-se insatisfatório”. De acordo com o material, além disso, há dados que precisam ser esclarecidos quanto a diversas outras substâncias químicas.
O relatório é assinado pela auditora fiscal de Meio Ambiente Marly Aparecida Reis Procópio; o engenheiro agrônomo Júlio Cézar Moreira Pessoa; e a farmacêutica Juliana Leandro de Barros. Os especialistas recomendaram, entre outros, levar o caso complexo às instâncias ambientais superiores de Minas Gerais.
Saae
Diretor técnico do Saae, Jorge Borges frisou que a água captada pela ETA Rio de Peixe é própria para o consumo, apesar do odor e turbidez, o que é testado por toda a equipe de especialistas da autarquia. A captação na barragem ocorre como solução em curto prazo para suporte à ETA Pureza, enquanto projetos na barragem de Santana não decolam. Segundo ele, a captação nos sistemas da Pureza caiu consideravelmente e sem a captação na área da Vale bairros inteiros de Itabira sofreriam racionamento com longos intervalos.
O Codema reiterou as recomendações com um pedido de nova análise da água tratada da barragem, haja vista que o ponto de captação teria mudado desde a confecção do relatório.