Seminário evidencia Itabira como território promissor para o empreendedorismo criativo
O seminário reúne representantes de setores diversos em Itabira, sobretudo da cena artística

No universo dos negócios, muito se fala em economia criativa – empreender a partir do talento e da criatividade – e Itabira tem território favorável ao setor. A cidade natal do poeta Drummond, das belezas exuberantes de Ipoema, de expoentes da moda, música, dança, artesanato e gastronomia, ou ainda das festas religiosas que atraem tantos fieis, pode ser um polo de turismo melhor explorado e gerar emprego e renda. Apoiado nessa ideia, é realizado no município o 1º Seminário Win Indústria Criativa.
O evento é da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita) e ocorre no âmbito do WIN – Workshop Itabirano de Negócios, programa desenvolvido pela entidade. O seminário começou nessa terça-feira, 28 de março, na avenida Duque de Caixas, e continua nesta quarta-feira. Tem parceiros como o Sebrae e estudantes da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), com startups que são escola para o segmento.
O primeiro dia teve estudo de cases com representantes da Vesperata de Diamantina, um tradicional concerto noturno ao ar livre que ocorre na cidade, e a Feira Literária de São João del-Rei e Tiradentes (Felit). O seminário também promoveu, na primeira noite, paineis entre atuantes no turismo de eventos e literário em Itabira, com mediação da jornalista e editora-chefe do Grupo DeFato, Kelly Eleto.

As ideias foram muitas. Por exemplo, Walde Andrade, do histórico Hotel Itabira e da Associação dos Moradores do Centro de Itabira (Amacentro), destacou a realização da “Vesperita” no município, semelhante à ideia de Diamantina, porém mais tímida e pouco conhecida, e que pode ser incremento ao Festival de Inverno.
Martha Mousinho, superintendente da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), expôs que o legado de Drummond é produto que pode ser explorado nos mais diferentes setores. Falou também sobre fortalecer o Festival de Inverno de Itabira, que este ano chega a sua 43º edição, envolvendo grupos tradicionais como a marujada – Itabira tem pelo menos 12 grupos de marujos – serestas, e outros. O Festival ocorre em julho.
Um dos participantes sacramentou: “a revolução cultural deve partir da comunidade”. Para o presidente da Acita, Eugênio Müller, a indústria criativa tem território promissor no turismo literário, ecológico, religioso e de eventos em Itabira. A seu ver, é oportunidade para a diversificação econômica da cidade.
No entanto, há obstáculos a serem superados. “Temos dois grandes desafios. O primeiro é o da união, mobilização. Temos que unir, conectar, dialogar, vencer preconceitos, tirar dogmas, quebrar vaidades. O segundo: pensar em termos empreendedores. Temos que esquecer isso de que é a Prefeitura quem tem que fazer ou buscar apoio só da Vale – queixume natural de quem realiza”.