Servidores do Samu protestam em BH contra corte de técnicos

Mobilização questiona o fim de 34 contratos temporários, que deve reduzir em cerca de 25% o número de técnicos de enfermagem nas ambulâncias de suporte básico

Servidores do Samu protestam em BH contra corte de técnicos

Servidores do Serviço de Atendimento Móvel (Samu) de Belo Horizonte fizeram um protesto nesta quarta-feira (22) em frente à prefeitura, na Avenida Afonso Pena, no Centro da capital. A mobilização foi organizada contra o encerramento de contratos temporários de técnicos de enfermagem e reuniu trabalhadores uniformizados, com faixas e palavras de ordem em defesa da manutenção das equipes. 

O foco da manifestação é a saída de 34 profissionais contratados durante a pandemia de covid-19. Segundo a prefeitura, esses vínculos vencem em 1º de maio e não serão renovados. Na leitura dos trabalhadores, a medida esvazia o atendimento e compromete a estrutura das Unidades de Suporte Básico do serviço móvel de urgência. 

Hoje, essas ambulâncias operam com dois técnicos de enfermagem por turno, além do condutor. Com a mudança, passarão a funcionar com um técnico e um motorista, modelo que a Secretaria Municipal de Saúde diz seguir a composição mínima prevista na Portaria nº 2.028/2002. A administração também afirma que não haverá redução no número de ambulâncias e que as escalas serão reorganizadas para manter a assistência. 

Os manifestantes contestam esse argumento. Para eles, a redução de pessoal atinge o serviço num momento delicado para a rede pública, em meio ao aumento da demanda por atendimentos respiratórios em Belo Horizonte e ao contexto recente de emergência em saúde pública na cidade. 

Depois do ato na porta da prefeitura, a expectativa era de caminhada até a Câmara Municipal, onde uma audiência pública discutiria os impactos do corte no Samu 192 e seus efeitos sobre o SUS da capital. 

A reação ao enxugamento das equipes não ficou restrita aos servidores. Em nota conjunta, o Sindicato dos Médicos, o Conselho Regional de Medicina e a Associação Médica de Minas Gerais afirmaram que a redução pode provocar um efeito em cadeia sobre o atendimento pré-hospitalar e pressionar ainda mais as unidades de urgência da cidade.