SÓ pode fazer bem
A atleta itabirana Érica Adriana Ferreira, de 24 anos, deve quase tudo que tem ao esporte, mais precisamente ao Taekwondo. Ela se iniciou na modalidade aos seis anos, enquanto assistia a um treino no Valeriodoce, com a mãe, praticante da arte marcial quando solteira. Érica sentiu-se tão à vontade que entrou no meio do treino […]
Morando em São Paulo desde 2008 e atuando como professora de Taekwondo, a atleta entende que o fato de ter-se tornado esportista na infância lhe proporcionou melhor condicionamento e diversos benefícios em termos físicos, como mais disposição para as atividades diárias e melhor raciocínio. “Tenho também maior controle sobre minhas ações e não apresento nenhum problema na saúde”, assegura.
Para obter um desempenho diferenciado, ela se acostumou a treinar pesado, com descanso apenas aos domingos. Por nove anos integrante da Seleção Brasileira de Taekwondo — foi campeã mineira, paulista e brasileira diversas vezes, além de campeã sulamericana, em 2006, e coleciona participações em Jogos Pan-americanos e mundiais —, a itabirana atribui seu alto rendimento também à iniciação temporã. “As crianças apresentam muito mais disposição, melhor vigor. O aprendizado é mais rápido e isso tudo influenciou no desempenho”, garante.
Para o professor de Educação Física e personal trainer Rodrigo Alves Andrade, especialista em Fisiologia do Exercício, o fator que mais influencia para que uma criança se torne um atleta de alto rendimento é a genética, pois algumas qualidades físicas que provêm dos gens são determinantes: composição de fibra muscular, capacidade aeróbia e anaeróbia, força muscular máxima, tempo de reflexo, estatura, força explosiva e peso corporal. “A genética é considerada tão decisiva que na maior parte dos grandes centros esportivos é realizado teste hormonal e de impressão digital. Este último indica qual a modalidade esportiva se encaixa melhor no perfil genético da pessoa”, esclarece.
Além das condições genéticas favoráveis, vários fatores precisam estar ligados, como um meio físico propício à prática de esportes, acesso adequado a treinamento, acompanhamento nutricional e psicológico.
De acordo com o personal trainer, pessoas que se submetem a treinamentos desde cedo, com o objetivo de tornar-se esportista de nível elevado, são favorecidas por levar uma vida diferenciada, com relação à rotina de treinos e alimentação. “Entretanto, se essa rotina for demasiadamente extenuante, a criança pode acabar desistindo do esporte”, analisa.
O recomendado é que os pequenos comecem as atividades de maneira prazerosa e lúdica, sempre orientados pelo profissional de educação física, que os encaminhará à atividade adequada. “Contudo, não existe fórmula mágica para se tornar um grande atleta, pois no decorrer do caminho vários percalços podem surgir. A perseverança e a disciplina são fundamentais para o sucesso de quem deseja atingir a esse objetivo”, sugere Rodrigo.
Válvula de escape
Érica orgulha-se de, por meio do esporte, ter conseguido realizar sonhos. “Conheci oito países, tive e tenho ótimos professores. Conquistei títulos importantes, o que me permitiu viver de Taekwondo. Principalmente, adquiri vários amigos”, afirma.
O crescimento pessoal, além do profissional, a inspira a manter a disciplina. Disciplina, aliás, é o atributo que serviu para mudar a vida do estudante Robson Luiz Siqueira Júnior, de nove anos. O garoto treina futsal desde os cinco e, como atacante, tem demonstrando determinação para vencer não só os adversários como os problemas impostos pela vida. Conforme conta a avó, Maria Regina Clotilde, responsável pelo garoto, quando os pais dele se separaram, há cerca de cinco anos e meio, Róbson apresentava más condições psicológicas. Ele era explosivo, ansioso e chorava por qualquer coisa. A avó decidiu, então, matriculá-lo na natação e, posteriormente, numa escolinha de futsal, em busca de uma mudança comportamental.
A criança passou por uma incrível transformação. “Ele era meio egoísta e não sabia compartilhar nada. Hoje, aprendeu a dividir e a trabalhar pelo coletivo”, diz Maria Regina. A avó assegura que outros benefícios vieram. “Além do ganho na saúde, seu rendimento escolar se elevou muito. O esporte foi a melhor coisa que aconteceu na vida dele. Não sei se será um grande atleta no futuro, mas para a socialização foi ótimo”, diz. E Robson acrescenta: “Sou uma criança bem mais alegre”.
A pequena Giovanna Nataly Silva do Carmo, de seis anos, é outro exemplo do que a prática orientada de esportes é capaz. Ela está matriculada na natação há apenas um ano, mas já sente os ganhos. De acordo com o pai, o técnico em processos Antônio Geraldo do Carmo, a menina tinha o sistema imunológico muito baixo e gripava com facilidade, além de não conseguir dormir direito. Com a atividade física, praticada toda semana, Giovanna já não tem mais problemas com o sono e houve uma melhora gradativa da saúde como um todo.
Os resultados podem ser observados também na personalidade da garota, como observa Antônio: “Ela era muito desobediente. Em uma brincadeira, não aceitava o segundo lugar. Por meio do esporte aprendeu noções de regras e se tornou mais comunicativa”.
Com ambições olímpicas ou não, a história não registra males causados pela prática de esportes, desde que seja feita de forma consciente e orientada. O mais comum é que quem faça só tenha a ganhar.