Suspeita de cartel também está na venda do gás de cozinha em Itabira
Custo do gás em Itabira é bem maior que em municípios vizinhos

Assim como a gasolina, outro produto campeão de reclamações no que diz respeito ao preço em Itabira é o gás de cozinha. A troca do botijão de gás na cidade está à beira dos R$ 70. Na última coleta feita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ocorrida há dez dias, o gás oscilava entre R$ 65 e R$ 69 na cidade do Médio Piracicaba.
Semelhante à gasolina, o custo do gás de cozinha também deve ter mando da livre concorrência. De acordo com o estudo apresentado nessa quinta-feira, 2 de março, pelo vereador André Viana (PTN), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Municipal, os indícios da prática de Cartel também estão na revenda do gás liquefeito de petróleo (GLP) em Itabira.
De janeiro a dezembro de 2016, o gás de botijão variou entre R$ 63,30 e R$ 64, na média. Ao longo de todo o ano, não foi registrada situação de concorrência quando comparados os preços praticados por 25 revendas de gás da cidade. O estudo feito pelos economistas Lucas Henrique Mateus Ribeiro e Sara Afonso Ramos, a pedido de André Viana, demonstra que o Índice Concorrencial de Preços (ICP) no período ficou abaixo de 1%, indicando não concorrência.
O levantamento compara o custo do gás em Itabira ao valor praticado no município de Ipatinga, no Vale do Aço. “Enquanto o preço médio da revenda em Itabira é de R$ 64, o de Ipatinga é de R$ 55,22, ou seja, aproximadamente R$ 8 de diferença”, cita o documento, considerando os preços cobrados nas duas cidades no mês de dezembro de 2016.
Observando dados da ANP em seu levantamento mais recente – a consulta é possível por meio do site do órgão -, é possível observar que os revendedores itabiranos de gás compraram o GLP por valores entre R$ 41,90 e R$ 50. Apesar da variação maior no custo da compra, não há a mesma variação na venda.
O material apresentado à Câmara conclui que não há qualquer concorrência na revenda do GLP em Itabira, “o que comprova que os revendedores destes podem estar adotando uma conduta uniforme, que resulta em uma grande perca de bem-estar para a população da cidade”.
O interesse do vereador André Viana é levar as possibilidades de cartel no município aos órgãos máximos do assunto em Brasília. “É um absurdo que Itabira tenha um dos maiores custos de vida de municípios do interior”, disparou, na tribuna da Câmara.