Tragédia em Brumadinho e queda na produção de minério contribuem para o recuo no PIB

No primeiro trimestre de 2019, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou (-0,2%) em relação ao quarto trimestre de 2018, na série com ajuste sazonal. A informação foi divulgada na manhã desta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um dos fatores que contribuíram para o cenário negativo foram as restrições à produção […]

Tragédia em Brumadinho e queda na produção de minério contribuem para o recuo no PIB
Indústria extrativa – Foto Arquivo EBC

No primeiro trimestre de 2019, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou (-0,2%) em relação ao quarto trimestre de 2018, na série com ajuste sazonal. A informação foi divulgada na manhã desta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um dos fatores que contribuíram para o cenário negativo foram as restrições à produção de minério de ferro. A indústria  fechou o primeiro trimestre em queda de 0,7% frente aos últimos três meses de 2018, mas o mau desempenho foi puxado pela indústria extrativa (-6,3%), impactada pela suspensão de operações da Vale após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG).

A indústria de transformação recuou 0,5%. Na comparação com o mesmo trimestre de 2018, a indústria caiu 1,1%. A indústria extrativa caiu 3% e a indústria de transformação, 1,7%. Em sua última projeção, o Banco Central reduziu a expectativa de crescimento da indústria em 2019 de 2,9% para 1,8%, com recuos nas perspectivas das indústrias de transformação e extrativa. 

Acumulado

Na comparação com igual período de 2018, o PIB cresceu 0,5%. Já o acumulado nos quatro trimestres terminados em março de 2019 subiu 0,9%, comparado aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Em valores correntes, o PIB no primeiro trimestre de 2019 totalizou R$ 1,714 trilhão, sendo R$ 1,462 trilhão referentes ao Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 251,5 bilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.Ainda no primeiro trimestre de 2019, a taxa de investimento foi de 15,5% do PIB, acima da observado no mesmo período de 2018 (15,2%).

Previsões

Para economistas, o baixo investimento nos últimos trimestres reflete as incertezas com relação à retomada do crescimento e à aprovação de reformas para equilibrar a situação fiscal do país. Sem dinheiro em caixa, governo federal, estados e municípios também têm investido menos. O cenário levou a FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas) a reduzir, na semana passada, suas expectativas de crescimento dos investimentos durante 2019 de 3,8% para 2,3%. 
A projeção, divulgada no Boletim Macro da entidade, considera a contabilização de importações de plataformas de petróleo realizadas no ano passado. Sem elas, o crescimento do investimento seria de 1,4% no ano, diz o boletim.
“Como podemos pensar em crescimento econômico sem investimento?”, questionam no documento os economistas Armando Castelar e Silvia Matos. Em março, o Banco Central também reduziu sua projeção de crescimento dos investimentos em 2019, passando de 4,4% para 4,3%.  (Com IBGE e Agência Folha)