Vale espera recuperar ‘prêmio’ por qualidade de seu minério
Depois de registrar o primeiro prejuízo desde 2002, a Vale aposta suas fichas na recuperação da siderurgia mundial este ano para turbinar o prêmio obtido pela qualidade do seu minério de ferro. A criação de um selo de qualidade foi a saída encontrada pela mineradora para fazer frente às concorrentes australianas que, por estarem […]
Depois de registrar o primeiro prejuízo desde 2002, a Vale aposta suas fichas na recuperação da siderurgia mundial este ano para turbinar o prêmio obtido pela qualidade do seu minério de ferro. A criação de um selo de qualidade foi a saída encontrada pela mineradora para fazer frente às concorrentes australianas que, por estarem mais próximas da China, oferecem um custo mais baixo de frete.
"Nosso grande objetivo é eliminar esse diferencial de frete que favorece os concorrentes", disse o diretor executivo de Ferrosos e Estratégia da Vale, José Carlos Martins. O executivo afirmou que, em 2011, quando a fixação de preços do insumo era feita trimestralmente, essa diferença foi quase eliminada.
Em 2012, com a queda no preço do carvão e a maior ociosidade da siderurgia mundial, a Vale viu encolher o prêmio pago pela qualidade do minério brasileiro. Em teleconferência com analistas, Martins lembrou que essa bonificação chegou a US$ 10 por tonelada. Hoje, está na casa dos US$ 2,50. "A expectativa é que, com a retomada da produção siderúrgica, haja também recuperação dos preços de realização da Vale", disse.
No evento, ele traçou cenário mais favorável para o setor este ano. Mas deixou claro que a volatilidade dos preços deverá continuar, com a ampliação das vendas atreladas ao mercado à vista chinês. Hoje, 55% das vendas são feitas nesse segmento. O restante tem, no máximo, preços fixados com base trimestral.
Cortes de custos. O presidente da Vale, Murilo Ferreira, aproveitou a teleconferência para reforçar o compromisso da mineradora com corte de custos e maior eficiência na alocação dos recursos. Segundo ele, esse trabalho visa, além de oferecer maior retorno aos acionistas, a manter a Vale no seleto grupo de empresas com grau de investimento.
Ao arrumar a casa, a Vale calcula que poderá reduzir entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões sua linha de despesas pré-operacionais em 2013, ao manter seus projetos no orçamento original. Segundo o diretor executivo de Finanças da empresa, Luciano Siani, a maior economia virá do projeto de níquel de Nova Caledônia, na Oceania, que pode chegar a R$ 350 milhões.
"Tudo dependerá do sucesso do ramp up (início de produção)desses projetos", disse Siani. A expectativa da mineradora é que o projeto de cobre de Salobo possa até zerar suas despesas pré-operacionais, o que traria uma economia de cerca de US$ 120 milhões. A previsão também leva em conta as paradas das plantas de pelotização de Tubarão I e II e de São Luís, considerados não recorrentes. (Estadão)