Valério faz 71 anos e deseja motivos para comemorar
Vicente Lage, o 109, com Didi, ídolo do Botafogo
O Valeriodoce Esporte Clube completa nesta sexta-feira, 22 de novembro, 71 anos de existência. De muitas glórias no passado, o Dragão de Itabira não tem, atualmente, motivos para comemorar. Na terceira divisão do Campeonato Mineiro e com pouquíssimas chances de ascensão neste ano, o VEC tenta reunir forças e condições para voltar a ser um dos times mais respeitados de Minas Gerais.
Fundado em 1942 por funcionários da então estatal Companhia Vale do Rio Doce, o Valério é um dos times mais tradicionais do estado. Na era Mineirão (contada após a inauguração do estádio na capital), foi o primeiro time do interior do estado a ter um artilheiro no campeonato estadual. Em 1978, Luiz Alberto anotou 12 gols e foi o principal goleador.
Entre os boleiros, o VEC tem a fama de sempre aprontar para cima dos gigantes de Minas, Atlético e Cruzeiro, seja em Itabira ou em Belo Horizonte. Em 1966, por exemplo, o time histórico da Raposa que levou a Taça Brasil só perdeu uma partida em todo ano. Para o Valério. Em 26 de outubro, Nerival fez o gol solitário que deixou o Mineirão calado e impediu o título estadual invicto do Cruzeiro.
O clube chegou a disputar as Séries B (Em 1988 e 1989) e C (Em 1994 e 1995) do Campeonato Brasileiro de Futebol. Porém, uma das páginas mais bonitas da história do Valério foi escrita em 17 de fevereiro de 1957. Naquele dia, debaixo de muita chuva, o Dragão recebeu o Botafogo para um amistoso em Itabira.
Não era um time qualquer. O adversário era a base da Seleção Brasileira que no ano seguinte levantaria a Taça do Mundo pela primeira vez. Em campo, estrelas como Nílton Santos, Didi e Garrincha. Mas quem brilhou foi o Valério. Com gols de Nino e Vitorino, o time itabirano bateu a equipe da Estrela Solitária por 2 a 1. Pampolini descontou para os cariocas. A façanha dos itabiranos virou notícia no Brasil inteiro.
Realidade triste
Glórias no passado, mas a realidade é dura. Na Terceira Divisão, o VEC enfrenta adversários que nem de perto têm a história do time de Itabira. E o pior. Não consegue enfrentá-los de igual para igual. No Hexagonal Final, o Dragão é o lanterna, com pouquíssimas chances de alcanças uma das duas vagas de acesso para o Módulo II.
O Valério convive com problemas financeiros, falta de apoio e estádios vazios. A dívida atual chega a R$ 8 milhões. Com tanto respeito lá fora, o VEC não encontra em Itabira o respaldo que necessita para voltar a figurar no andar de cima do futebol.
Aos 71 anos, quando fechar os olhos e assoprar as velhinhas, o Valério pode desejar ter de novo os anos de glórias.