Veja como usar o 13º para pagar dívida do cartão ou do cheque especial

A primeira parcela do 13º salário vai cair na conta da maioria dos brasileiros no próximo dia 30, embora alguns trabalhadores já tenham recebido a grana. Antes de comprar uma televisão nova ou trocar o carro, economistas recomendam que o consumidor pagar as dívidas, principalmente as que têm os maiores juros. Veja como usar o […]

A primeira parcela do 13º salário vai cair na conta da maioria dos brasileiros no próximo dia 30, embora alguns trabalhadores já tenham recebido a grana. Antes de comprar uma televisão nova ou trocar o carro, economistas recomendam que o consumidor pagar as dívidas, principalmente as que têm os maiores juros. Veja como usar o dinheiro do 13º para liquidar seus débitos. 

O benefício deverá injetar, ao todo, R$ 102 bilhões na economia, segundo cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Uma pesquisa recente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) mostrou que 57% dos brasileiros vão usar o 13º para pagar dívidas.

Assim que a grana sair, o brasileiro deve priorizar o pagamento das dívidas do cartão de crédito e do cheque especial, que têm os maiores juros, explica o vice-presidente da Anefac, Roberto Vertamatti. 

– Se o brasileiro estiver endividado no cheque especial ou no cartão de crédito, ele deve usar todo o 13º para quitar essas dívidas, ainda que ele tenha que fazer compras [de Natal] parceladas. Isso porque o juro do cartão de crédito chega a 240% ao ano. O cheque especial chega a 130% ou 140%. Então, o primeiro passo é ele acabar com a dívida. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, essas duas modalidades também são as mais caras. Entretanto, os juros do cartão de crédito vão de 40% a 50% ao ano, e os cheque especial vão de 20% a 25%, diz Vertamatti. 

Carlos Stempniewski, professor de finanças das Faculdades Rio Branco, concorda com o economista da Anefac. 

– Usar o dinheiro do 13º salário para o consumo seria minha última opção: livre-se de dívidas! 

O superintendente de empréstimos às pessoas físicas do banco Santander, Rogério Estevão, explica que diminuir o endividamento é o uso mais inteligente do 13º. Para os consumidores que não têm a grana suficiente para pagar tudo o que deve, ele sugere a substituição do débito por outro com juro menor. 

– Se o consumidor tiver que fazer um endividamento, que ele faça de forma mais planejada. Ele pode trocar a dívida do cheque especial [e do cartão de crédito] a qualquer momento. No mercado, tem uma série de produtos com taxas de juros mais baixas, como o crédito consignado e o crédito parcelado. Com essas duas linhas, ele sai do cheque especial ou se livra da dívida do cartão de crédito, com um prazo de 36 a 48 meses para pagar. 

Veja como pagar a dívida do cartão de crédito ou do cheque especial com o 13º
Procure o gerente ou ligue para a operadora do cartão de crédito para descobrir o tamanho da dívida. Faça as contas e veja se a grana do 13º é suficiente para quitar a dívida.
Se o dinheiro for maior que a dívida, o 13º entra na conta corrente e cobre o cheque especial automaticamente. No caso do cartão, basta pedir o “congelamento” do débito e acertar a conta.
Se o dinheiro não for suficiente, acerte parte da dívida e solicite ao gerente uma linha de crédito mais barata (com juros menores) para substituir a dívida do cartão ou do cheque especial, que têm juros gigantescos.
No mercado, há uma série de produtos com taxas de juros diferentes. Peça ao gerente algumas opções, como o crédito consignado ou o crédito parcelado, que podem ser pagos em parcelas fixas em até 48 meses.
Enquanto você estiver pagando a “nova dívida”, o banco pode bloquear seu cartão de crédito. Geralmente, isso vai ocorrer se você comprometer mais de 30% da renda com dívidas.
Se os débitos estiverem pagos, o consumidor deve guardar o 13º para as contas do início do ano, como IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores), IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e gastos com matrícula e materiais escolares. Depois disso, o consumidor pode ir às compras, mas com consciência, diz Vertamatti. 

– O consumidor deve fazer o consumo com critério com o que sobrar. Estimamos que entre 10% e 20% de tudo o que as famílias consomem no Brasil são objetos não utilizados ou desperdiçados. O consumidor tem que se perguntar se realmente precisa e se tem dinheiro para comprar o bem.