Vereador condenado retorna à Câmara de São Gonçalo
Envolvido no chamado “Golpe da Angélica”, Marlon Túlio (PL) foi condenado por utilizar notas frias de serviços de táxi para desviar recursos públicos
Marlon Túlio Pessoa Costa, então presidente da Câmara Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo, foi preso em 2011 enquanto se preparava para presidir mais uma sessão legislativa. Na ocasião, era acusado de apresentar notas frias de serviços de táxis para desviar recursos públicos. Filiado ao PL, ele se candidatou novamente a vereador nas eleições de 2020 e foi eleito com 542 votos.
Alguns anos após o escândalo, Marlon Túlio retorna à Câmara de Vereadores em grande estilo e ocupará a cadeira de secretário da Mesa Diretora do Legislativo são-gonçalense. Cargo que permite a ele controlar os documentos de serviço da Casa, assim como apurar e acompanhar a presença ou não do seus pares nas reuniões ordinárias.
Aliás, Marlon Túlio já começará a desempenhar as suas funções nesta quinta-feira (21), quando acontece a primeira reunião ordinária da Câmara de Vereadores em 2021. E parece que o envolvimento no “Golpe da Angélica” não incomoda o parlamentar, assim como o escândalo parece ter esfriado na memória do eleitor de São Gonçalo.
Outro lado
Na tarde de segunda-feira (18), a reportagem do grupo DeFato entrou em contato, por telefone, solicitando um posicionamento do vereador Marlon Túlio sobre o seu retorno ao Legislativo. Também foi perguntado como o envolvimento nesse escândalo pode repercutir em seu novo mandato.
Ele pediu que as perguntas fossem encaminhadas através do WhatsApp — o que foi feito no mesmo dia. Posteriormente, na manhã de quarta-feira (20), a equipe da DeFato voltou a solicitar informações para Marlon Túlio. Porém, até o fechamento desta reportagem, o vereador não havia se posicionado ou dado retorno aos questionamentos apresentados.
Entenda
Em 2011, o então presidente da Câmara Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo, Marlon Túlio, foi preso quando se preparava para dar início à reunião ordinária. Ele, juntamente com outros vereadores, eram acusados pelo Ministério Público de falsificar notas do serviços de táxi para ficar com dinheiro.
Na época, o caso ficou conhecido como “Golpe da Angélica”, devido ao hit “Vou de Táxi”, que fez sucesso na voz da artista brasileira em 1988. Marlon Túlio foi preso, temporariamente, com base no artigo 312 do Código Penal. O crime de peculato é quando um funcionário público apropria-se de dinheiro para benefício próprio.
De acordo com uma matéria publicada pelo grupo DeFato, na época, o esquema de desvio de recursos começou em 2001. Mas, conforme investigações do Ministério Público, se intensificou nos anos de 2009 e 2010, quando Marlon Túlio era presidente da Câmara de Vereadores.
Ao todo, os deslocamentos de táxis que foram considerados irregulares somaram 2.216.191 quilômetros, o suficiente para dar a volta ao mundo por cerca de 55 vezes.
Em 2019, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais determinou que Marlon Túlio, outros três ex-presidentes da Câmara Municipal de São Gonçalo do Rio Abaixo e 21 ex-vereadores devolvessem mais de R$ 2,1 milhões por irregularidades em despesas com táxis entre 2001 e 2010.




