Vereadores contrariam Saae e Codema e mantêm urbanização da Pureza
José Celso (de pé) e Élson Sá foram dois dos vereadores que defenderam urbanização da Pureza
A ampliação do perímetro urbano de Itabira em direção à região da Estação da Pureza voltou a ser tema de discussão na reunião da Câmara de Vereadores. Na semana passada, os legisladores aprovaram a emenda do líder do prefeito na Casa, José Celso de Assis (PR), que permite a expansão. Nesta terça-feira, 21 de junho, mesmo com pressão do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Codema), seis vereadores optaram por não voltar na decisão e rejeitaram a supressão da emenda.
O secretário municipal de Meio Ambiente e presidente do Codema, Arnaldo Lage, e o engenheiro do Saae, Dartson Fonseca, estiveram presentes à reunião. Eles entregaram um manifesto às pessoas que estavam na Câmara e também aos vereadores. O documento demonstra a insatisfação das entidades com a ocupação urbana do manancial da Pureza, responsável por 55% do abastecimento de água de Itabira.
A insatisfação do Saae e do Codema chegou aos vereadores e três deles criaram uma emenda para ser votada em segundo turno que suprimia a aprovada na primeira votação. O pedido de revogação foi assinado por Ilton Magalhães (PR), Carlinhos do Sacolão (PP) e Solimar Silva (PSDB). Eles demonstraram preocupação na aprovação do avanço do perímetro urbano, mas foram derrotados pelos votos contrários de seis colegas. Tião da Antena (PP) se absteve de votar e o presidente da Casa, Tãozinho Leite (PP), não vota.
Alguns dos vereadores contrários à revogação da emenda usaram tom duro para defender a manutenção da proposta. Apesar de ter se abstido do voto, Tião da Antena criticou o que chamou de “tentativa de frear o desenvolvimento”. Para o legislador, se a captação de água fosse tão prioritária para o município, a atual Administração já teria elaborado um projeto de captar em outro local há muito tempo. Élson Sá concordou com ele e demonstrou desconfiança com a resolução do problema da captação de água em Itabira. “Se não fez em dez anos, não será feito em um ano e meio”, afirmou.
Solimar Silva tentou defender a supressão da emenda. Ele concordou que o problema da água já era para ter sido resolvido, mas argumentou que não era essa a discussão do momento. “O que se vota aqui não é isso. Estamos falando do avanço da área urbana e isso é uma irresponsabilidade”, afirmou. Ilton Magalhães e Carlinhos do Sacolão também falaram no mesmo sentido. “Votaria mil vezes contra esse avanço”, enfatizou Carlinhos.
Geraldo Torrinha (PDT), Martha Mousinho (PTN) e o autor da emenda, José Celso, defenderam que a proposta continuasse de pé. Apesar de ser o líder do prefeito na Casa, e de secretários municipais já terem se manifestado contrariamente, o republicano ainda cobrou mais agilidade do governo na resolução do problema da água. “Quem sabe com essa emenda eles não agilizam”, comentou.
Outras cinco emendas foram aprovadas na votação do segundo turno e o projeto que modifica alguns pontos do Plano Diretor de Itabira foi aprovado por unanimidade.