Vereadores voltam atrás e mantêm comissões inalteradas na Câmara de Itabira

Para Tãozinho Leite e Reinado Lacerda a decisão se deu pelo “bem da coletividade”

Vereadores voltam atrás e mantêm comissões inalteradas na Câmara de Itabira
Com o recuo dos parlamentares, a reunião de comissões foi realizada nesta segunda-feira. Foto: Wesley Rodrigues/DeFato

Os vereadores Sebastião Ferreira Leite “Tãozinho” (Patriota) e Reinaldo Soares de Lacerda (PSDB) voltaram atrás no pedido de desligamento do bloco parlamentar do qual fazem parte na Câmara de Itabira. A decisão dos dois destravou o rito legislativo. O presidente da Casa, Weverton Leandro Santos Andrade “Vetão” (PSB), convocou para esta segunda-feira, 14, à tarde, a reunião de comissões que não ocorreu na última quinta, 10. A agenda incluiu discussões e pareceres de projetos que devem ser votados em primeiro turno na reunião desta terça-feira, 15.

Tãozinho Leite disse à imprensa que levou o desligamento do bloco à mesa do Patriota, que resolveu manter a coalizão. “Esse foi o primeiro ponto. O segundo foi que tivemos uma reunião – o vereador Reinaldo Lacerda e eu – onde achamos melhor retornarmos às comissões, facilitando assim as discussões dessa Casa, para não retardar o processo legislativo e parar todos os projetos que já estavam para ser pautados. Terceiro: junto com a Casa e com o nosso presidente chegamos à conclusão (…) de não mexer com as comissões agora”, comentou.

Se mantivessem a saída do bloco parlamentar da maioria — composta pelos partidos Avante, Patriota, PDT, PP, PSB e PSDB – o Legislativo itabirano teria que redefinir a composição das comissões temáticas, conforme determina seu regimento interno. A movimentação atrasaria o andamento de matérias em tramitação até que os colegiados fossem novamente formados.

“Prudente”

Em mensagem a DeFato, Reinaldo Lacerda endossou. “Tive uma longa conversa com o vereador Tãozinho Leite e decidimos, juntos, que essa é a atitude mais prudente nesse momento. Priorizamos a manutenção do bom relacionamento entre os vereadores e o andamento dos trabalhos legislativos. Consideramos ainda que uma nova discussão e a recomposição das comissões poderia retardar de alguma forma as discussões e essa nunca foi a nossa intenção”, pontuou.

Democracia

Vetão avaliou como positiva as decisões de Tãozinho Leite e Reinaldo Lacerda, as quais classificou como democráticas. “Democracia é isso, o parlamento é isso. A gente viu uma ação legítima dos vereadores Reinaldo e Tãozinho – é bom ressaltar a legitimidade deles em fazerem isso e a gente tem que ter amadurecimento para não ficar usando vias para atacar o Poder Legislativo [sugeriu críticas ao Executivo]. Houve consenso na tratativa e eles entenderam que está faltando apenas cinco meses [de trabalho parlamentar] para findar esse ano e que se houvesse um feito desses, teríamos que reavaliar todas as comissões e vários vereadores que estão hoje nas comissões – até mesmo por causa da criação do bloco – poderiam ficar sem vaga. Pensando na coletividade optaram por recuar”.

Recado ao governo

“Aconteceram várias coisas que nos levaram a tomar várias decisões”, resumiu Tãozinho Leite, quando questionado sobre o porquê da decisão inicial de abandonar o bloco parlamentar. Ele admitiu ser a manobra uma resposta ao relacionamento desalinhado com o governo de Marco Antônio Lage (PSB). Tãozinho citou o projeto de lei (PL) 48/2021 para contrair um empréstimo de R$ 70,1 milhões com a Caixa Econômica Federal: a seu ver, a rejeição ao PL se deu por ele “não estar no momento certo”.

A ausência de articulação e o envolvimento dos legisladores no projeto de empréstimo desagradaram. O estopim para o pedido de desligamento se deu com as críticas imediatas do governo à decisão tomada pela maioria da Câmara, de derrubar o PL. “Com esses acontecimentos na terça-feira [data da votação do empréstimo] e na quarta-feira [críticas vindas do governo] tomamos a decisão de retirar o nosso nome, naquele momento”, declarou o vereador.

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