Vice-governador Mateus Simões defende “tolerância zero” após operação “Rejeito” e elogia ação da PF

Declarações foram feitas ao jornal O Tempo após quase 36 horas de silêncio; governo mineiro já afastou servidores suspeitos e suspendeu licenças investigadas

Vice-governador Mateus Simões defende “tolerância zero” após operação “Rejeito” e elogia ação da PF
Foto: Karoline Barreto/CMBH

Em resposta aos desdobramentos da operação Rejeito, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), afirmou na quinta-feira (18), em nota enviada ao jornal O Tempo, que o governo estadual adota “tolerância zero” em casos de corrupção. A declaração veio após quase 36 horas de silêncio do Executivo sobre a investigação da Polícia Federal, que apontou a participação de servidores estaduais em um esquema de mineração ilegal e manipulação de licenças ambientais no Estado.

“Defendemos tolerância zero contra a corrupção. Qualquer envolvido será investigado e preso. Minha trajetória pública fala por si: nunca compactuei com desvios”, disse Mateus Simões ao periódico mineiro.

O vice-governador destacou que o governo já havia afastado os servidores citados na operação e suspendeu processos de licenciamento sob suspeita. Ele também elogiou a atuação da Polícia Federal:

“Eu e o governador Romeu Zema confiamos nos órgãos de controle e na atuação policial. Por isso, exoneramos os envolvidos, determinamos a revisão dos atos e estamos dando total apoio à Polícia Federal, que agiu corretamente ao prender quem saiu da linha”.

As declarações de Mateus Simões aconteceram poucas horas depois de o governador Romeu Zema (Novo) também comentar o caso, durante coletiva de imprensa em São Paulo, após o leilão do lote de rodovias na região de Ouro Preto e Mariana na Bolsa de Valores. O chefe do Executivo disse esperar “punição exemplar” aos envolvidos e classificou como “absurdo” o uso da máquina pública para ganhos pessoais.

O governo mineiro já havia se pronunciado oficialmente na quarta-feira (17), logo após a operação, informando o afastamento de quatro servidores investigados. Outros dois, incluindo o ex-presidente da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), Rodrigo Gonçalves Franco, foram exonerados anteriormente.

+ Ex- presidente da Feam preso na Operação Rejeito avisa que não vai cair sozinho

+ Após “Operação Rejeito”, presidente da AMIG cobra reestruturação da ANM e revisão do Código Minerário Brasileiro

Operação Rejeito

Deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal, a operação investiga uma organização criminosa que teria fraudado licenças ambientais e explorado minério de ferro ilegalmente em áreas de preservação, como a Serra do Curral, em Belo Horizonte, e a Serra de Botafogo, em Ouro Preto.

As apurações apontam que o esquema movimentou bilhões de reais e resultou em bloqueio judicial de R$ 1,5 bilhão em bens. Foram cumpridos 79 mandados de busca e apreensão e 22 de prisão preventiva em Minas Gerais, além de afastamentos de servidores públicos.

+ Operação “Rejeito”: PF cumpre 101 mandados e bloqueia R$ 1,5 bilhão em ação contra corrupção ligada à mineração

+ Diretor da Agência Nacional de Mineração é preso na operação “Rejeito”, que apura corrupção bilionária em Minas Gerais