Votação de empréstimo volta a causar debate no Legislativo
Bernardo Mucida foi o único que voltou contrário ao projeto que autoriza a prefeitura a contrair empréstimo
A votação do projeto 20/2014, que autoriza a Prefeitura de Itabira a contrair empréstimo de R$ 38 milhões junto à Caixa Econômica Federal para projetos de saneamento e captação de água gerou, novamente, intenso debate na Câmara de Vereadores. Bernardo Mucida (PSB) falou contrário à aprovação e foi rebatido por quase todos os colegas. O embate foi assistido por secretários municipais e teve, ainda, uma faixa patrocinada pelo legislador oposicionista para criticar o financiamento.
O projeto já havia sido aprovado em primeiro turno durante reunião extraordinária nessa segunda-feira, 7 de abril. A votação foi tensa e contou com acalorado debate entre Mucida e o líder de governo Paulo Soares, ambos do PSB, mas com posicionamentos bem diferentes. Só o oposicionista votou contra. Pela matéria, a prefeitura vai contratar financiamento de R$ 38.369.177,44 junto à Caixa Econômica Federal, por meio do Programa Saneamento para Todos, para construir uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no bairro Pedreira, ampliar a de Laboreaux e ainda captar água na Barragem de Santana. O empréstimo será pago em 20 anos.
Outra vez, apenas Mucida foi contra o projeto. O socialista voltou a cobrar do Executivo a apresentação da real situação financeira do município. “No ano passado, o secretário de Fazenda nos apresentou que havia R$ 177 milhões em caixa. Cadê esse dinheiro? Uma cidade com a arrecadação de Itabira precisa pedir empréstimos?”, questionou. Na opinião do vereador, gastos desnecessários têm comprometido o poder de investimento da prefeitura.
Depois da manifestação, Bernardo foi bombardeado pelos colegas. O primeiro a reagir foi Lado de Dona Dudu (PMDB). Ele disse que os projetos que serão pagos com o financiamento são importantes para Itabira, pois a cidade sofre pela falta de água. O vereador argumentou que os R$ 177 milhões citados pelo socialista não podem ser levados em consideração, porque possuem outros destinos de investimentos.
Toninho da Pedreira e Sueliton Souza, ambos do Pros, também citaram a importância dos projetos sanitários e de captação de água, bem como Geraldo Torrinha (PDT), Pacelli Eustáquio (PMN), Palhaço Batatinha (PSDB), Marcela Cristina e Ilton Magalhães, do PR, Zé Mauro e Ronaldo Capoeira, do PV, Tãozinho Leite (PP) e Solimar Silva (SDD). Para eles, o projeto não é contração de uma dívida, mas um investimento que a prefeitura está fazendo.
O líder de governo na Câmara, Paulo Soares (PSB), e o presidente do Legislativo, Rodrigo Diguerê (PV), foram mais dois que defenderam o projeto do prefeito Damon Lázaro de Sena (PV). “É muito fácil falar que tinham R$ 177 milhões em caixa, como se não tivesse mais nada para pagar”, criticou Soares. “A Caixa não faria o empréstimo se o município não tivesse poder de investimento”, defendeu Diguerê.
O projeto precisa ser sancionado pelo prefeito Damon até esta quarta-feira, 9 de abril, já que é o último dia para enviar o pedido de empréstimo à Caixa Econômica Federal.