William, ídolo no vôlei, comanda Sada Cruzeiro na fase final da Superliga

William, ídolo no vôlei

William, ídolo no vôlei, comanda Sada Cruzeiro na fase final da Superliga

Na Argentina ele é ídolo e conhecido como "O Mago", por sua habilidade com a bola. No Brasil, o levantador William também já começa a se tornar uma referência para a torcida cruzeirense, que vê nele um grande maestro para comandar o Sada Cruzeiro nos playoffs da Superliga. Nesta sexta, às 21h, com a vantagem de já ter vencido em casa o time celeste enfrenta o Pinheiros Sky em São Paulo, na segunda rodada das quartas de final.

O paulista William tem 31 anos e defende o Sada Cruzeiro pela primeira vez. Ele jogou por quatro anos no Bolívar, da Argentina, onde faturou 21 dos 22 torneios disputados. Por suas impressionantes atuações foi indicado ao principal prêmio do esporte argentino, concorrendo com atletas como Messi e Riquelme.

No Brasil passou por todas as divisões de base da Seleção Brasileira, chegou a ser convocado por Bernardinho em 2004, mas ficou de fora das Olimpíadas de Atenas. Foi eleito o melhor levantador da Superliga 2004/05. Na edição 2005/06, antes de deixar o país, ficou em segundo lugar na posição.

VOLTA AO BRASIL – SUPERLIGA 2010/11 – Um dos motivos de voltar ao Brasil foi disputar um campeonato de nível técnico muito alto. Se a Superliga não é o primeiro do mundo com certeza é o segundo. Aproveitei também a chance de jogar em um time de ponta, como o Sada Cruzeiro. Além de estar perto da família.

ÍDOLO E LIDERANÇA – Na Argentina as coisas aconteceram naturalmente. Ninguém me conhecia. Eu e o Wallace (do Sesi-SP), junto com outros jogadores, conseguimos colocar o Bolívar no patamar dos grandes times que disputam campeonatos mundiais. A liderança tem muito a ver com a minha posição, mas também com a minha personalidade. Eu tenho que comandar o time. Como levantador, é minha obrigação distribuir o jogo, mostrar essa energia, chamar o time o tempo inteiro. É uma característica minha. O torcedor se identifica muito com jogadores assim, tanto no futebol como no vôlei.

TÍTULOS – Com a conquista de títulos as pessoas te enxergam de outra forma. Na Argentina foi assim. Eu espero ganhar muitos títulos aqui no Sada Cruzeiro. No ano que passou ganhamos o Mineiro e o campeonato em Irvine, nos Estados Unidos. Acho que as coisas estão acontecendo naturalmente.

TORCEDORES ARGENTINOS X BRASILEIROS Eu achava a torcida da Argentina bem diferente da do Brasil. Mas os torcedores do Sada Cruzeiro são quase tão fanáticos como os do futebol e estão criando uma identidade. Eles entendem o vôlei, o momento do jogo. No jogo contra o Pinheiros Sky eles cantaram e incentivaram o tempo inteiro. É uma energia incrível. Muita gente não acredita, mas eu sinto isso.

ESTRUTURA DO CLUBE – Não é à toa que nos últimos quatro anos o Sada Cruzeiro está entre os melhores clubes do Brasil. Isso só acontece com times estruturados. O clube tem uma excelente estrutura de treinamento, profissionais qualificados, um técnico muito bom. O Marcelo Mendez é um cara que entende muito de vôlei. É um estrangeiro, e para contratar alguém de outro país tem que ser um time estruturado. Eu fui estrangeiro em outro lugar e sei disso. O Sada Cruzeiro está no caminho certo. Não tenho nada a reclamar do clube.

SADA CRUZEIRO NA SUPERLIGA – A nossa mentalidade e o nosso foco é chegar na final da Superliga. Nosso time já provou que tem condições. Temos um bom nível de treinamento e uma estrutura ótima. Mas é um campeonato muito equilibrado. São oito times que têm condições de ganhar. Esse nosso jogo nas quartas contra o Pinheiros poderia tranquilamente ser uma final. Não é hipocrisia dizer que todo jogo é uma final. Tudo pode acontecer. Para ser campeão em um campeonato como esse tem que contar com um pouco de sorte também, de não perder nenhum jogador por contusão, e outras coisas. O nosso time briga, treina, está focado para chegar na decisão. Temos que continuar com esse espírito.

TOALHINHA NO SHORT – É mais pela transpiração mesmo. Eu transpiro muito no braço e vai para a mão. Em vez de ficar pedindo a toalha para o banco toda hora para enxugar, já fico com ela e facilita o trabalho. Mas tem um pouco de neurolinguística nisso. Quando você está um pouco mais tenso e precisa de concentração, se você focar em alguma parte do corpo, com um movimento repetitivo, pode ajudar. Às vezes me pego encostando na toalha mesmo com a mão seca.

NAS HORAS VAGAS – Sou muito caseiro, gosto de ficar em casa. Também gosto muito de música. Tenho uma bateria em casa, estou aprendendo a tocar. Gosto muito de viajar. Tenho uma moto, gosto de sair por aí. Também adoro jogar golfe. É um esporte que aprendi primeiro na Austrália, com a minha irmã. Depois levei mais a sério na Argentina. Treinava três vezes por semana, com um professor. Minha intenção era jogar uma Olimpíada. Aqui no Brasil não dá para praticar tanto, mas sempre que posso vou para o Morro do Chapéu jogar. Se não fosse jogador de vôlei seria de golfe.

O VÔLEI – O vôlei é minha vida. Com 12 anos eu já pensava no vôlei como profissão. Treinava os fundamentos sozinho. Jogava na minha escola, que era tradicional no vôlei. Depois fui jogar no Pinheiros. Meu pai, já falecido, era muito rígido com os estudos e eu sempre fui ligado em esportes. Dormia com a bola embaixo do braço. Jogava tudo, vôlei, futebol, qualquer coisa que tem bola eu jogo até hoje. Meu pai um dia se sentou comigo e disse: "Você quer jogar vôlei? Então você tem que ser o melhor. Eu te apoio, mas para ser o melhor. Senão você vai estudar".

SELEÇÃO BRASILEIRA – É difícil prever que se eu tivesse ficado no Brasil teria tido mais oportunidades na seleção brasileira. Seleção é um sonho de qualquer menino. Sua mãe quer ver você jogar na seleção brasileira. Mas quando eu fui para a Argentina eu recebi um carinho lá muito grande. De torcedores, do clube. Ver as pessoas chegarem e falarem que foram mais felizes naquele dia por te ver jogar, te agradecer pelo que você estava fazendo. Comecei a entender que os valores eram outros. Vários torcedores me ligam até hoje, me pedem para voltar. Isso não tem preço. Quero construir essa história aqui também.

METAS NA VIDA – O vôlei me traz felicidade. No dia em que eu perceber que o vôlei já não me dá satisfação eu parto para outra coisa. Meu objetivo é ser feliz. É ter saúde e viver feliz o tempo que eu conseguir. Viver com pessoas do bem e que me querem bem. Tranquilo. Não tenho nenhum objetivo material absurdo. Não tenho intenções de ser milionário. Meu lema de vida é simplicidade e felicidade.