Zoológico de BH recebe Araras-Azuis-de-Lear para tentar reprodução de espécie
O Zoo conta agora com dois casais de arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari)
Recentemente, o Zoológico de Belo Horizonte recebeu dois casais de arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) e a Prefeitura informou que a adaptação dos animais ao ambiente foi bem-sucedida. As quatro aves já cumpriram o período conhecido como “quarentena”, durante o qual ficam isolados, sob supervisão intensa da equipe técnica para avaliação do estado de saúde e adaptação ao novo local de moradia.
As aves já estão no recinto definitivo, em uma área de acesso exclusivo de funcionários do Zoo. A reunião dos exemplares dessa espécie distribuídos em zoológicos e criadouros científicos do Brasil e do exterior faz parte do Plano de Manejo e Conservação da Arara-Azul-de-Lear (PAN). A intenção é que seja possível o pareamento, reprodução e, sendo viável, futura reintrodução na natureza. As araras-azuis-de-lear, quando jovens, foram resgatadas em decorrência do tráfico e de desmatamentos/queimadas e até caça, está última, como sequela, tornou-se incapaz de voar. Por isso, passaram a viver sob cuidados humanos em outras instituições por alguns anos. A vinda dos animais para a capital é uma das estratégias estabelecidas pelo PAN, do qual a Fundação faz parte desde 2007.
Características da espécie
A arara-azul-de-lear é uma ave da ordem dos Psittaciformes, da família Psittacidae. Também conhecida como arara e arara-azul-menor, é uma das aves mais raras do mundo, criticamente ameaçada de extinção. O nome vem do grego anodön (sem dente, desdentado); e rhunkos (bico); e de leari, learii (homenagem ao artista, escritor e explorador inglês Edward Lear (1812-1888). O resultado literal é Ave de Lear com bico desdentado.
A arara-azul-de-lear é uma espécie que, na natureza, ocorre exclusivamente na caatinga baiana, na região conhecida como Raso da Catarina. Também ameaçada de extinção, ela se encontra na categoria “Em Perigo” (Endangered – EN), segundo a classificação da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).
Plano de Manejo Integrado
De acordo com a bióloga e gerente da Seção de Aves do Jardim Zoológico da Fundação, Márcia Procópio, quando o Plano de Manejo e Conservação da Arara-Azul-de-Lear (PAN) começou havia menos de 800 indivíduos na natureza e atualmente já são mais de duas mil aves vivendo livres. “Os Zoológicos têm papel fundamental na conservação de espécies e uma das frentes de atuação nesse sentido é a reabilitação de animais resgatados em decorrência do comércio ilegal ou de desastres causados por ações humanas, como queimadas, desmatamento etc. A conservação da arara-azul-de-lear em criatórios científicos e Zoológicos como o de BH – que pratica a reabilitação – somada ao manejo voltado para facilitar a possível reprodução sob cuidados humanos e, ainda, às parcerias com instituições capacitadas para programas de soltura – seja da aves reabilitadas, seja de filhotes – vem permitindo o aumento de indivíduos na natureza”, explica a bióloga.
Ela ainda destaca que o Plano de Manejo e Conservação da Arara-Azul-de-Lear agrega várias instituições pelo mundo afora, como o Loro Parque da Espanha; zoológicos na Alemanha, na República Tcheca e no Brasil, além de criatórios científicos. “Agora é torcer para que possamos ter filhotes no Zoológico de Belo Horizonte, exatamente com o objetivo de encaminhá-los para a soltura”, conclui Márcia.
*Com comunicação da PBH




