Morre o nova-erense Eliezer Batista, duas vezes presidente da Vale
Pai do empresário Eike Batista, Eliezer foi também ministro de Minas e Energia, em 1962, no governo de João Goulart, e secretário de Assuntos Estratégicos do governo Fernando Collor de Mello, em 1992
Morreu na noite dessa segunda-feira, 18 de junho, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, o engenheiro Eliezer Batista, aos 94 anos. Natural de Nova Era, ele foi o primeiro funcionário de carreira da Vale a atingir a presidência da empresa, cargo que ocupou em duas oportunidades.
Pai do empresário Eike Batista, Eliezer foi também ministro de Minas e Energia, em 1962, no governo de João Goulart, e secretário de Assuntos Estratégicos do governo Fernando Collor de Mello, em 1992. O engenheiro ainda participou do segundo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como membro do Conselho Coordenador das Ações Federais no Rio de Janeiro.
Na então Companhia Vale do Rio Doce, chegou ao cargo máximo 1961, nomeado pelo então presidente Jânio Quadros. Permaneceu até 1964 e nessa época acumulou a função junto ao ministério de Minas e Energia. Nessa primeira passagem, foi responsável pela assinatura dos primeiros contratos de longo prazo com dez siderúrgicas japonesas, que previam o fornecimento de 50 milhões de toneladas de minério de ferro por um período de 15 anos. Em troca, os japoneses ajudaram a construir o Porto de Tubarão.
Retornou à presidência da CVRD em 1979. Seu principal desafio nessa segunda passagem foi implantar o Projeto Grande Carajás, no meio da selva amazônica. Teve de ir ao Banco Mundial três vezes para conseguir um empréstimo. O projeto teve investimento total de 2,8 bilhões de dólares.
Em 1986, Eliezer deixou a presidência da Vale. Vinte anos depois, em 2016, ele emprestaria o seu nome para batizar o maior projeto da história da mineração mundial: o Complexo S11D Eliezer Batista, primeira mina de ferro construída para operar sem caminhões fora de estrada, que permite reduzir em cerca de 70% o consumo de diesel.
No ramo empresarial, além da presidência da Vale, Eliezer foi diretor-presidente da Minerações Brasileiras Reunidas S.A., vice-presidente da Itabira International Company, diretor da Itabira Eisenerz GMPH e presidente da Rio Doce Internacional (subsidiária da Vale em Bruxelas).
Em nova enviada à imprensa, a mineradora Vale lamentou a morte de seu ex-presidente. A empresa pontuou que o engenheiro foi responsável por preparar a então Companhia Vale do Rio Doce para o crescimento que ocorreria a partir da década de 1980. “Estamos consternados. Nosso maior engenheiro, o homem que teve a visão de preparar a Vale para ser a empresa que conhecemos hoje, se foi. Eliezer Batista, que um dia recebeu a alcunha de ‘Engenheiro do Brasil’, bem que poderia ser conhecido por: ‘o Construtor da Vale’. Sim, temos orgulho de dizer que fomos a sua principal obra”, afirmou o diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman.
Pelo twitter, o presidente Michel Temer (MDB) também se manifestou sobre a morte de Eliezer. “O Brasil perdeu um de seus maiores engenheiros. Eliezer Batista foi um dos responsáveis pelo sucesso da Vale no mundo. Muito trabalhou pelo nosso país e sempre acreditou no Brasil”, escreveu.
Entidades empresariais, como a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), também manifestaram publicamente sobre morte do nova-erense Eliezer Batista.