Sete macacos já foram encontrados mortos em Itabira; um teve febre amarela confirmada

Rosana Linhares, Alexandre Banana e Thereza Andrade, durante coletiva

Sete macacos já foram encontrados mortos em Itabira; um teve febre amarela confirmada
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Atualizada às 18h20 do dia 6 de março

A Secretaria Municipal de Saúde e a Gerência Regional de Saúde do Governo de Minas realizaram uma coletiva na manhã desta segunda-feira, 6 de março, para falar sobre a confirmação de que um macaco foi encontrado morto por febre amarela no distrito de Ipoema. Outros seis primatas já foram recolhidos na cidade e enviados para análise (veja a lista no final da matéria).

Com essa confirmação, Itabira agora está classificada como “Categoria Três” no protocolo de intensificação e orientações sobre a doença, que abrange cidades em que já foram registrados óbitos de humanos ou epizootia, que é uma enfermidade contagiosa em animais, como é o caso registrado no município.

A secretária municipal de Saúde, Rosana Linhares, explicou que a população deve ficar tranquila, já que o risco maior é para pessoas que adentram em matas. Além disso, ela voltou a lembrar que não é qualquer pessoa que deve ser vacinada.

“Vacinação em massa é vacinar indiscriminadamente, sem conferir cartão, sem conferir estado de saúde, porque há uma necessidade de bloqueio total. Isso não é o caso da febre amarela. A gente chama de intensificação vacinal porque existem critérios para vacinação da febre amarela, até porque existem reações pós vacina, algumas muito importantes, que a gente não pode submeter a população indiscriminadamente a esse processo”, afirmou.

A secretária explicou ainda que cada vez que uma pessoa é vacinada, esse dado vai para um sistema eletrônico, no qual o governo estadual também tem acesso. Com isso as doses vão sendo liberadas conforme a necessidade de aumentar o indicador de imunização da população de um determinado local.

Já o diretor da Gerência Regional de Saúde, Alexandre Faria Martins da Costa (Banana), explicou que onde começaram os casos em humanos da febre amarela, no Leste de Minas, foi constatada uma baixa cobertura vacinal, o que não é o caso de Itabira.

Ele ainda lembrou que o macaco é tanto vítima dessa epidemia quanto os humanos. Banana disse que a morte dos primatas é um alerta para que medidas sejam tomadas. “Muitas vezes foram desconsideradas nas cidades onde ocorreram os primeiros casos. Talvez faltou nesses municípios a questão de vigilância, o que não tem ocorrido aqui em Itabira e nos outros municípios nossos (da GRS)”.

Experiência

A superintendente de Vigilância em Saúde, Thereza Cristina Oliveira Andrade, falou sobre a experiência dela na área desde 1980 e lembrou que já ocorreram outros surtos da doença, como em 1999 na região Centro-Oeste do Brasil, que foi controlada. Ela ainda ressaltou que o risco maior é em regiões de matas e falou sobre as ações em Itabira.

“Quando apareceram os primeiros casos, lá na região Leste do estado, nós aqui já ficamos alertados pela própria experiência que a gente tinha. Então o que começamos a fazer: aonde tem o risco da doença? O risco de aparecimento tem na área rural, na área de mata, em área mais periférica. Então nós já começamos a busca por essas pessoas que poderiam estar expostas, com o risco de adoecer, porque elas não estavam vacinadas. Buscamos, identificamos e vacinamos”, contou.

Thereza ainda ressaltou que 10 dias após a região Leste de Minas Gerais ter começado a fazer a vacinação nas áreas de risco, o comportamento da doença caiu vertiginosamente, chegando a quase zero. Ela também falou que a conduta foi antecipada em Itabira, antes de qualquer confirmação, deixando a população coberta e protegida. “Isso significa que estamos garantidos, que podemos adentrar a mata. Se tivermos algum contato (com o mosquito transmissor), ela vai estar imunizada”.

Trabalho conjunto

O coordenador de Vigilância em Saúde da CRS, Marcelo Barbosa Motta, falou do trabalho em conjunto que tem sido realizado com as cidades que integram a regional. Ele explicou que o procedimento é necessário para evitar que o problema passe de um lugar para o outro.

“A gente sabe da importância do problema e da importância das vigilâncias não só de Itabira. Trabalhamos com 25 municípios e todos estão na mesma linha, atentos. Não adianta Itabira realizar um bom trabalho, se o município vizinho não estiver fazendo isso também, porque o problema pode chegar do vizinho. Um tem que apoiar o outro e estamos à disposição para atender os municípios”.

Macacos encontrados mortos em Itabira:

9 de fevereiro – Ipoema, no término do calçamento com destino a Bom Jesus do Amparo. O primata apresentava sinais de envenenamento. Foi confirmado que tinha febre amarela.

10 de fevereiro – Bairro Hamilton, próximo aos motéis. O macaco apresentava sinais de atropelamento. Morte também confirmada para febre amarela.

26 de fevereiro – Mata do Limoeiro, em Ipoema. Primata encontrado em estado de decomposição. Resultado do laudo ainda não liberado.

2 de março – Em frente a Policlínica de Itabira. Eletrocutado na rede da Cemig. O macaco foi enviado para análise por precaução.

2 de março – Mata do Limoeiro, em Ipoema. Um primata foi encontrado morto, com sinais de envenenamento, e outro agonizando, que foi levado para uma clínica veterinária, mas morreu no dia seguinte. Ambos encaminhados para análise.

5 de março – Próximo ao pontilhão da Funcesi, na saída de Itabira. Apresentava sinais de atropelamento ou agressão. Encaminhado para análise.