Itabiranos relatam pânico e terror no Espírito Santo

Espírito Santo vive caos por causa de policiais militares em greve

Itabiranos relatam pânico e terror no Espírito Santo

Itabiranos que estão no Espírito Santo contaram a DeFato Online sobre a tensão e o medo vividos por eles em diversas cidades capixabas. Serviços públicos foram suspensos, sem falar em escolas e estabelecimentos de todo tipo que estão de portas fechadas, por causa de criminosos que espalham pânico e terror pelo estado.

No Espírito Santo, policiais militares estão de braços cruzados. Desde a manhã de sábado, 4 de fevereiro, familiares de PMs foram para as portas dos quartéis e impedem militares e viaturas de saírem para ruas. As manifestações foram registradas em toda a Região Metropolitana de Vitória, Guarapari, Linhares, Aracruz, Colatina e Piúma. Em dois dias, 51 pessoas foram assassinadas no estado, informou o sindicato dos policiais civis. Há registros também de arrombamentos e saques em comércios e ônibus incendiados.

A assistente administrativa Eliany da Graça é da cidade de Itabira e mora atualmente no bairro Jardim Camburi, na Grande Vitória. Amedrontada, ela disse que se deu conta da situação na noite de sábado, quando saiu com amigos e uma das integrantes do grupo foi assaltada. 

Na manhã desta segunda-feira (6), Eliany enfrentou o caos e decidiu ir trabalhar. Numa pequena empresa de 15 colaboradores, somente quatro compareceram. “Supermercados, farmácias, padarias, escolas, postos de saúde… tudo está fechado por aqui. Fui trabalhar hoje e os poucos que chegaram à empresa voltaram mais cedo para casa. Tivemos medo do prédio sofrer um arrastão. Os ônibus pararam de circular há pouco. Nós estamos ilhados, presos e assustados dentro de casa”, contou ela, na tarde de hoje, pelo aplicativo WhatsApp.

A esperança de Eliany é que o caos seja controlado pela medida anunciada hoje pelo governo federal: 200 homens da Força Nacional devem chegar a Vitória ainda nesta segunda-feira. “Se isso não acontecer eu pretendo ir para casa (Itabira) até as coisas se normalizarem”, disse. Eliany também alertou quem pretende viajar para a capital capixaba: “Não é a hora de ninguém vir para cá”.

Criminosos cometem homicídios sem qualquer intimidação. Foto: Reprodução de Vídeo

Outro itabirano por lá, o DJ Rafael Olivier contou, por meio do Facebook, que a família dele se mudou para Vitória em 2015 e até então não havia presenciado caos semelhante.

“Residimos no bairro Universitário e nas proximidades temos áreas de risco: os bairros São Pedro, Inhaguetá, Resistência, etc. Há cerca de duas horas, tivemos que ir no centro buscar minha mãe no trabalho, pois o transporte coletivo iria paralisar. O que vi foram comércios fechados, pessoas assustadas por todos os lados, assaltos a todo momento, pessoas armadas andando de moto e sem capacete, arrastões em lojas e muitos homicídios. Os bandidos tomaram conta das ruas”.

Indígenas assustados

O ex-superintende da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), Marcos Alcântara, chegou à cidade de Aracruz na última sexta-feira. Na cidade, ele foi trabalhar projetos culturais com comunidades indígenas.

Alcântara falou do clima de terror na aldeia Caieiras Velhas. Indígenas foram alvejados por armas e tiveram animais mortos. “Na aldeia, estão desrespeitando as pessoas, as tradições. Nunca presenciei uma situação como essa e venho desde novo ao estado do Espirito Santo. A população está com bastante medo de tudo que está acontecendo”, disse, por telefone.

O consultor de projetos culturais disse que retornava a Itabira na tarde desta segunda-feira.

A Justiça já concedeu liminar declarando a ilegalidade do movimento grevista no estado vizinho, mas conforme noticiários daquela região os quartéis e unidades da polícia ainda não foram liberados.

Marcos Alcântara estava em Aracruz