Sob protestos, Câmara de Itabira libera projeto de reajuste para votação

Representantes da equipe de transição ouviram manifestações contrárias quanto ao projeto de reajuste salarial do primeiro escalão da Prefeitura de Itabira

Sob protestos, Câmara de Itabira libera projeto de reajuste para votação

Reunião quente e tumultuada na Câmara de Vereadores de Itabira. Diante de um plenário lotado de manifestantes, as comissões temáticas da Casa liberaram, na tarde desta quinta-feira, 1º de dezembro, o projeto de lei que trata do reajuste salarial do prefeito, vice e secretários municipais. A matéria vai em primeira votação na próxima terça-feira, 6 de dezembro, quando as cadeiras devem estar novamente todas ocupadas por pessoas contrárias à majoração.

Houve muito protesto, sobretudo quando os integrantes da equipe de transição do futuro prefeito Ronaldo Magalhães (PTB), Gustavo Milânio e Celso Matozinhos, falaram favoravelmente ao projeto. Eles afirmaram que não se trata de um aumento salarial, mas voltar com a remuneração para os mesmos patamares que eram antes do atual prefeito, Damon Lázaro de Sena (PV), promover um corte de 25%. Os dois ainda disseram que a medida é necessária, especialmente para conseguir a montagem de um secretariado de qualidade. “Ronaldo já tomou alguns ‘nãos’ por causa do salário atual”, disse Gustavo.

De acordo com o projeto, o salário do prefeito, entre 2017 e 2020, passaria dos atuais R$ 18.739,62 para R$ 23.670,00, um reajuste de 26%. O do vice subiria de R$ 9.369,64 para R$ 12,9 mil, o equivalente a 37%. A majoração mais expressiva é a dos secretários municipais, cujos salários subiriam de R$ 7.933,75 para R$ 12,9 mil, uma alta de 62%. Antes, da redução promovida por Damon, o chefe do Executivo recebia R$ 24.986,16, o vice 18.739,62 e os secretários R$ 10.578,34.

Segundo Celso Matozinhos, o futuro governo pretende cortar cargos e secretarias, o que seria o suficiente para uma economia de cerca de R$ 8 milhões anualmente. As mesmas justificativas apresentadas pelos membros da equipe de transição foram repassadas a DeFato Online pelo empresário e presidente do PTB de Itabira, Wilson Campos, braço direito do prefeito eleito Ronaldo Magalhães (clique aqui e leia).


Celso Matozinhos e Gustavo Milânio defenderam projeto na Câmara de Vereadores

Protestos

O advogado Gustavo Milânio tentou convencer os manifestantes sobre a necessidade dos reajustes. Disse que as majorações eram um pedido pessoal de Ronaldo e conclamou aos vereadores que aprovassem a matéria. O representante da equipe de transição foi extremamente vaiado e escutou discursos duros das pessoas que estavam no plenário. A bronca dos manifestantes também recaiu sobre os vereadores.

A presidente do sindicato dos servidores públicos, Priscila Miranda, foi uma das que criticou a proposta. “Nos últimos quatro anos, tivemos 26% de aumento. Neste último, nem aumento tivemos. Quando será que vamos conseguir atingir 67%, como os secretários? Podem ter certeza que se isso for aprovado nós nunca esqueceremos”, disparou. “Damon também pediu aumento garantindo secretários técnicos, foi concedido e veja o que aconteceu”, acrescentou a sindicalista.

Auro Gonzaga, vice-presidente do sindicato, disse que tudo o que a entidade pede de melhoria na Prefeitura recebe como resposta o argumento da inviabilidade financeira. “Por que para aumentar os salários do primeiro escalão não há essa inviabilidade?”, questionou.

A maioria dos manifestantes que falaram durante a reunião se posicionou com preocupação com o cenário econômico de Itabira. Muitos listaram uma série de serviços precários na cidade e pontuaram que não é a hora de se conceder um reajuste tão expressivo aos agentes políticos. “Podemos fazer um acordo. Vocês melhoram a vida da gente, a gente reelege vocês e daqui a quatro anos a gente conversa sobre reajuste salarial”, disse uma das manifestantes, servidora pública da área de saúde.


Sindicalista Priscila Miranda protestou contra o projeto de reajuste

Liberado

Os representantes do futuro governo ouviram todas as manifestações e ao fim disseram que não podem ser responsabilizados por problemas da atual administração. “Sei que temos muitos problemas a resolver e vamos trabalhar sério para isso. Eu também sou um crítico da atual administração e até lutei para derrubá-la, mas, agora, só posso pedir que confiem na gente”, pediu Gustavo Milânio.

A matéria foi liberada para votação porque obedece todos os critérios regimentais. O único vereador a se manifestar durante a reunião foi Bernardo Mucida (PSB), que declarou seu voto contrário à matéria. “Está mais do que claro que este projeto é contra a vontade popular. Acho que o futuro governo deveria repensar o projeto, colocá-lo em patamares mais factíveis”, defendeu.

Após a reunião, em entrevista à imprensa, o presidente da Câmara, Rodrigo Diguerê (PV), elogiou o clima democrático com o qual se desenrolou as manifestações dos lados favoráveis e contrários ao projeto e disse esperar que a reunião na próxima terça-feira aconteça “dentro da normalidade, sem violência e com respeito ao próximo”.