Homenagens relembram um ano de solidariedade em Santa Maria

Boate Kiss: a programação que precede o primeiro aniversário do incêndio apresenta o Congresso Internacional Novos Caminhos, que discutirá temas como segurança e saúde

Homenagens relembram um ano de solidariedade em Santa Maria
Santa Maria – Durante os últimos doze meses, as 239 famílias das vítimas da tragédia da boate Kiss, na cidade gaúcha de Santa Maria, buscaram força no abraço dos amigos e na dedicação dos voluntários para encarar o ano que apenas começava.
 
Agora, juntos, preparam as homenagens e o coração para mais uma data marcante: 27 de janeiro de 2014.
 
A programação que precede o primeiro aniversário do incêndio que causou 242 mortes em janeiro de 2013 apresenta o Congresso Internacional Novos Caminhos, que discutirá temas como segurança e saúde; a exibição do documentário "Janeiro 27", produção da Accorde Filmes com estreia nacional prevista para o dia 25; e um culto ecumênico.
 
Não deixar que essa tragédia caia no esquecimento é o norte no qual se agarram os parentes e amigos das vítimas e é esse o objetivo da pequena tenda de toldo branco cravada ao lado da Praça Saldanha Marinho, a poucas quadras da boate: relembrar aos passantes diários do calçadão de Santa Maria os retratos da sua luta por justiça e segurança.
 
Ao final de um caminho de barracas que rodeiam o chafariz central da praça vendendo pastel, artesanato e cuias de chimarrão, a "tendinha da vigília", como é conhecida, ergue-se calada e discreta, adornada com fotos das vítimas e mensagens de saudade.
 
Em uma tarde abafada de sexta-feira, em que sol e chuva se revezam intermitentes ao longo das horas, cerca de 20 pessoas trocavam olhares cúmplices e silenciosos sob o toldo branco.
 
"Aqui é um lugar para receber conforto, é uma forma que as pessoas têm de se encontrar no centro da cidade, nem que seja por acaso", explica o professor de educação física Alexandre Segatto, de 28 anos, voluntário nas vigílias.
 
"Quando (a tragédia) era recente, alguns amigos poderiam ficar com receio de fazer uma visita, de encontrar os familiares em um momento emocional ruim. Aqui, eles viam que a pessoa estava na tendinha e vinham encontrá-la".