UFMG identifica caminho para nova vacina contra a malária

Estudo publicado na Nature mapeou alvos do parasita que podem orientar uma nova geração de imunizantes contra diferentes espécies da doença

UFMG identifica caminho para nova vacina contra a malária
Foto: Divulgação/CTVacinas

Pesquisadoras do CTVacinas da UFMG publicaram na revista Nature um estudo que identifica novos antígenos capazes de orientar o desenvolvimento de vacinas contra a malária. A pesquisa mapeou alvos do parasita que podem gerar proteção contra diferentes espécies e fases da doença, um dos principais desafios enfrentados pela imunologia nessa área.

O trabalho foi liderado por Camila Barbosa e Luna de Lacerda, primeiras autoras do artigo, com Caroline Junqueira como autora sênior. Segundo a equipe, esta é a primeira vez que um estudo integralmente conduzido por mulheres brasileiras é publicado na Nature, uma das revistas científicas de maior reconhecimento internacional.

Apesar de já existirem vacinas aprovadas contra a malária, os imunizantes disponíveis ainda têm limitações. Eles atuam principalmente na fase inicial da infecção, podem exigir doses de reforço e, em geral, foram desenvolvidos com foco em apenas uma espécie do parasita.

A pesquisa da UFMG se concentrou em identificar proteínas do Plasmodium capazes de acionar linfócitos T CD8+, células de defesa que ajudam a eliminar células infectadas. Para isso, as pesquisadoras usaram a imunopeptidômica, técnica que permite observar quais fragmentos de proteínas são apresentados ao sistema imunológico durante a infecção.

A análise revelou 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do Plasmodium vivax, espécie predominante nas Américas. Muitas dessas proteínas ainda não haviam sido exploradas como candidatas vacinais e são consideradas estratégicas porque desempenham funções essenciais para a sobrevivência do parasita.

Outro ponto relevante é que parte dos alvos identificados aparece em diferentes espécies e fases do ciclo de vida do Plasmodium. Segundo o estudo, 71% das proteínas são conservadas entre espécies distintas, e 75% são expressas em múltiplas etapas da infecção, incluindo fases no mosquito, no fígado, no sangue e em formas dormentes associadas a recaídas.

Os resultados foram validados em amostras de pacientes infectados, em primatas não humanos e em modelos experimentais com camundongos. A descoberta ainda não representa uma vacina pronta, mas oferece uma base para novas pesquisas e para o desenvolvimento de imunizantes com potencial de proteção mais abrangente contra a malária.